Prótese de silicone pode causar câncer? Entenda o caso raro que reacendeu o debate

O relato recente de uma influenciadora que desenvolveu um câncer raro associado à prótese de silicone voltou a colocar o tema no centro das discussões. A história rapidamente se espalhou pelas redes sociais e levantou dúvidas entre mulheres que já possuem implantes ou que pensam em colocar próteses: afinal, o silicone pode causar câncer?

A resposta, segundo especialistas, exige cautela e contexto. O cirurgião plástico Dr. Luiz Anizio Wanna explica que os tumores relacionados à prótese existem, mas são extremamente raros e não devem ser confundidos com o câncer de mama tradicional.

“É fundamental entender a proporção real dos números. O câncer associado à cápsula da prótese é raríssimo quando comparado ao câncer de mama comum, que continua sendo uma das principais causas de morte entre mulheres”, afirma o médico.

Um tipo de câncer raro e pouco frequente

O caso recente trouxe à tona o carcinoma espinocelular associado à cápsula da prótese, um tipo de tumor extremamente incomum. De acordo com dados citados pelo especialista, apenas cerca de 20 casos desse tipo de câncer foram descritos em todo o mundo nos últimos 30 anos.

Para efeito de comparação, os números do câncer de mama tradicional são muito maiores.

No mundo, surgem aproximadamente 2,3 milhões de novos casos de câncer de mama todos os anos. Só no Brasil, são cerca de 73 mil novos diagnósticos anuais e aproximadamente 18 mil mortes por ano relacionadas à doença.

“Quando colocamos os números lado a lado, percebemos que estamos falando de situações completamente diferentes em termos de frequência. Em 30 anos, tivemos cerca de 20 casos descritos de câncer relacionado à cápsula da prótese, enquanto o câncer de mama comum atinge milhões de mulheres todos os anos”, explica o Dr. Wanna.

O papel do acompanhamento médico

Apesar de raros, os tumores associados à prótese reforçam a importância do acompanhamento regular. Toda paciente que possui implantes mamários deve realizar exames periódicos para avaliar tanto a integridade da prótese quanto a saúde da mama.

Entre os principais exames indicados estão:

  • ultrassonografia das mamas
  • mamografia
  • ressonância magnética, quando necessário

“O controle é fundamental. Não se trata de ter medo da prótese, mas de acompanhar o organismo ao longo dos anos. O implante não é um dispositivo vitalício e precisa de avaliação periódica”, orienta o especialista.

A prótese também pode fazer parte da prevenção do câncer

Um dos pontos menos conhecidos do público é que o implante mamário, em determinados casos, faz parte da estratégia de prevenção ou tratamento do câncer de mama.

Mulheres com alto risco genético, por exemplo, podem ser submetidas à chamada mastectomia preventiva, cirurgia em que grande parte da glândula mamária é retirada para reduzir drasticamente o risco de desenvolver a doença. O caso mais famoso foi o da atriz Angelina Jolie.

Após a retirada da glândula, a mama é reconstruída com prótese, normalmente posicionada atrás do músculo.

“Quando retiramos praticamente toda a glândula mamária, o risco de câncer cai de forma significativa, podendo se aproximar de zero em muitos casos. A prótese, nesse cenário, não é um problema, ela faz parte da solução”, explica o Dr. Luiz Wanna.

Mesmo quando não é possível remover toda a glândula, a retirada de cerca de 90% do tecido já reduz de forma importante o risco de câncer.

Quando o explante é indicado

O explante mamário, ou retirada da prótese, pode ser necessário em algumas situações médicas. Entre as principais indicações estão:

  • ruptura do implante
  • contratura capsular avançada
  • infecções ou inflamações persistentes
  • dor crônica
  • diagnóstico de tumores associados à prótese
  • desejo da paciente, após avaliação médica

O explante não deve ser tratado como tendência ou movimento estético, mas como uma decisão médica individualizada. Cada caso precisa ser analisado com cuidado. Há pacientes que realmente precisam retirar a prótese, mas também há muitas que podem mantê-la com segurança, desde que façam acompanhamento adequado.

Informação, não pânico

O caso recente serve como alerta, mas também como oportunidade para ampliar o debate sobre saúde mamária e acompanhamento a longo prazo.

A principal mensagem, segundo o Dr. Luiz Anizio Wanna, é de equilíbrio:

“Não podemos tratar a prótese como vilã, porque ela é segura e, em muitos casos, faz parte da reconstrução e da prevenção do câncer de mama. O mais importante é o acompanhamento regular e a orientação com um especialista.”

Em um cenário em que milhões de mulheres enfrentam o câncer de mama todos os anos, a informação correta continua sendo a melhor forma de prevenção, com ou sem prótese.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.