Entre o luto e o câncer de mama, paciente encontra acolhimento durante tratamento em Juazeiro do Norte

A descoberta do câncer de mama marcou o início de um dos períodos mais difíceis da vida de Cineyde Ferreira. Em meio à perda do marido, que faleceu em maio de 2025, ela precisou lidar com o diagnóstico da doença e com as etapas do tratamento oncológico. Em Juazeiro do Norte, no Hospital Geral Padre Cícero, da Hapvida, encontrou uma equipe que, segundo ela, fez a diferença durante os meses de enfrentamento da doença.

A história começou anos antes do diagnóstico. Cineyde conta que percebeu o surgimento de um nódulo na mama há cerca de sete anos. Como ele desaparecia e voltava, acreditou que a alteração estivesse relacionada a questões hormonais. Por medo e insegurança, adiou a investigação. Em janeiro de 2025, porém, o nódulo reapareceu e começou a crescer rapidamente.

Em maio daquele ano, o marido descobriu o diagnóstico e tentou encontrar uma maneira de contar a notícia à esposa. Cinco dias depois, ele morreu após sofrer um infarto, sem conseguir revelar a ela o que havia descoberto. Dois dias após a morte, Cineyde encontrou no celular dele a confirmação do diagnóstico. “Enfrentei o luto, enfrentei o câncer, enfrentei a parte financeira, então tive que fazer de tudo”, relata.

A partir daquele momento, ela precisou reunir forças para atravessar o tratamento enquanto lidava com a ausência do companheiro. Foram sete meses de quimioterapia, seguidos por cirurgia e radioterapia. Ao todo, foram 16 sessões de quimioterapia.

Acolhimento durante o tratamento

Além dos procedimentos médicos, Cineyde destaca o acolhimento recebido pela equipe do Hospital Geral Padre Cícero. Para ela, a assistência humanizada foi fundamental para enfrentar a rotina de consultas, medicações e sessões de quimioterapia.

“Eu acho que o mais importante é a fé, mas depois vem o acolhimento. Eu jamais esperaria o atendimento que tive. Fui bem recebida, toda a equipe humanizada. Eu senti como se fosse uma família para mim”, conta.

A paciente também relata que, em algumas ocasiões, enfrentava dificuldades para conseguir acesso venoso para a administração dos medicamentos. Nessas situações, a equipe de Oncologia acionava profissionais da unidade Neonatal para auxiliar no procedimento, buscando garantir a continuidade da assistência.

“Todos os enfermeiros já me conheciam e pessoal da Neonatal vinha aplicar minha medicação. Em nenhum momento fui recebida de forma diferente. Era muito amor. Criei uma amizade com os profissionais, e acho que isso vou levar para o resto da vida”, recorda.

Ao olhar para a própria trajetória, Cineyde destaca não apenas a superação das etapas do tratamento, mas também a importância de ser acolhida durante um período de vulnerabilidade. Entre a dor da perda e os desafios da doença, o cuidado recebido se tornou parte essencial de sua história.