Mesmo após Banco Central iniciar ciclo de redução da taxa básica em março de 2026, custo médio do crédito permaneceu elevado para o consumidor, mostra análise do IJBE Q1/2026. A redução da taxa Selic nem sempre significa empréstimos mais baratos de forma imediata para o consumidor.
Em março de 2026, o Banco Central realizou o primeiro corte da taxa básica de juros depois de um longo período de aperto monetário, reduzindo a Selic de 15% para 14,75% ao ano. No entanto, o custo médio do crédito continuou em patamar elevado. No mesmo mês, o Indicador de Custo do Crédito (ICC) permaneceu acima dos 24% ao ano.
O cenário é um dos destaques analisados pelo IJBE Q1/2026 – Índice Juros Baixos de Empréstimo, estudo da Juros Baixos que acompanha o comportamento do mercado de empréstimo pessoal digital no Brasil a partir de milhões de solicitações reais de crédito. Por que a queda da Selic não reduz imediatamente os juros dos empréstimos?
A Selic funciona como uma referência importante para o custo do dinheiro no país, mas não é o único fator considerado pelas instituições financeiras na definição das taxas oferecidas aos clientes. O preço final de um empréstimo também pode incorporar fatores como:
risco de inadimplência;
custo de captação das instituições;
perfil de crédito do consumidor;
prazo da operação;
despesas administrativas;
impostos e outras condições de mercado.
Por isso, alterações na taxa básica podem levar algum tempo até aparecer de forma mais clara nas condições oferecidas ao consumidor. Custo do crédito segue pressionando quem busca empréstimo
Os dados ajudam a explicar por que uma redução da Selic não significa necessariamente que todas as modalidades de crédito ficarão mais baratas no mesmo momento. O próprio Banco Central apontou que o ICC, indicador que mede o custo médio das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional, ficou em 24,1% ao ano em março de 2026.
Na comparação com março do ano anterior, houve uma alta de 1,5 ponto percentual. Isso significa que, mesmo com o início do ciclo de redução dos juros básicos, o consumidor ainda encontrava um ambiente de crédito caro.
Comparar ofertas ganha ainda mais importância
Em um cenário de juros elevados, as condições encontradas por dois consumidores podem ser bastante diferentes. Instituições financeiras possuem políticas próprias de análise de risco e podem oferecer taxas, limites e prazos distintos para uma mesma pessoa.
Por isso, olhar apenas para a Selic não é suficiente para saber se um empréstimo está caro ou barato. Antes da contratação, é importante comparar principalmente o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, tarifas, impostos e outros encargos envolvidos na operação.
A comparação entre diferentes instituições pode ajudar o consumidor a encontrar uma alternativa mais adequada ao seu perfil financeiro.
O que os dados mostram sobre o mercado de crédito
O movimento observado no primeiro trimestre reforça uma característica importante do mercado: mudanças na política monetária não chegam ao crédito na mesma velocidade.
“A redução da Selic é um sinal importante para a economia, mas o consumidor não necessariamente percebe esse efeito de forma imediata na hora de contratar um empréstimo. O custo do crédito também depende do risco, do perfil de cada cliente e das condições praticadas pelas instituições financeiras. Por isso, comparar ofertas continua sendo fundamental”, afirma Guilherme Nasser, cofundador e CEO da Juros Baixos.
A Selic influencia o custo das operações, mas o valor efetivamente cobrado do consumidor depende de uma combinação de fatores econômicos e individuais. Os dados do IJBE mostram ainda um mercado no qual a procura por empréstimos permanece relevante e no qual características como score, restrições no CPF e ocupação profissional podem provocar diferenças significativas nas condições disponíveis para cada solicitante.
Para quem precisa de crédito, portanto, acompanhar a trajetória da Selic é importante, mas comparar as condições disponíveis continua sendo fundamental.




