Quatro em cada 10 brasileiros nunca ouviram falar em economia circular

Quatro em cada dez brasileiros (39%) nunca ouviram falar sobre o conceito de economia circular. Os dados constam de uma pesquisa encomendada pelo Movimento Plástico Transforma ao QualiBest, e mostram ainda que, embora o tema já tenha chegado a 57% da população, isso ocorreu de forma superficial.

Baseada na gestão de recursos, a economia circular reutiliza, recupera e reinsere recursos no ciclo produtivo. É uma alternativa ao modelo produtivo linear, em que os recursos cumprem uma única etapa de uso e são descartados.

Desse total de 57% que afirmou já ter ouvido falar no conceito, apenas 12% declarou conhecer bem, e outros 45% afirmou já ter ouvido falar em economia circular, mas não conhecer detalhes.

“Isso é um ponto que ainda precisa ser trabalhado, porque não adianta nada você conhecer se você não tem um aprofundamento do tema, e isso que a gente precisa tentar trabalhar”, afirma Beatriz Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma.

Para Beatriz, iniciativas para a ampliação do conhecimento sobre temas mais desafiadores, como a economia circular, devem partir de escolas, governos, empresas e organizações sociais, em um esforço focado em crianças e adolescentes.  

“A gente entende que eles são os nossos principais vetores de comunicação com suas famílias, com a comunidade do entorno. Então isso é superimportante para poder fazê-los entender e para levarem esse exemplo para casa.”

A pesquisa Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População ouviu 834 pessoas a partir de 18 anos, entre 30 de abril e 08 de maio de 2026. Os dados também foram comparados à primeira edição do estudo, realizada em 2025.

Grande parte dos entrevistados (74%) declarou ter disposição para mudar hábitos de consumo com o objetivo de gerar menos resíduo. Enquanto 3% declarou que talvez mudaria, outros 23% afirmou não ter disposição para promover essa mudança.

De forma geral, os pesquisados consideraram a reciclagem de produtos uma responsabilidade compartilhada atribuída principalmente à população (78%), governo (63%) e empresas (55%).

Na comparação com a pesquisa de 2025, a responsabilização da população cresceu três pontos percentuais, já a cobrança por atuação do governo e empresas cresceram respectivamente quatro e seis pontos percentuais.

As escolas também foram responsabilizadas por 35% dos entrevistados, assim como 30% considerou a reciclagem responsabilidade de organização não governamentais (ONGs) e 3% atribuiu a outros setores.

Devolução

A logística reversa, prática de devolver ao fabricante um produto após o fim de seu ciclo para reinserção na cadeia produtiva, também foi abordada no estudo. A maioria dos entrevistados, 42% afirmou já ter devolvido ao menos uma vez algum produto. Desses, 14% afirmaram fazer com frequência.

A pesquisa indicou que 55% das pessoas têm acesso à coleta seletiva em casa ou na rua. E 11% separam os resíduos, mas não levam aos pontos de coleta. Desse grupo, 63% entregam reciclável e orgânico juntos ao caminhão de coleta e 36% entregam o material separado aos catadores.

A confiança da população brasileira sobre a reciclagem dos resíduos separados é alta, demonstra a pesquisa. Mais da metade (54%) declarou acreditar que os resíduos separados são efetivamente reciclados. Apenas 6% não confiam no processo.

Na avaliação da gerente de pesquisa do Instituto QualiBest, Marlene Treuk, os dados do levantamento mostram, de forma geral, que embora o conhecimento precise ser aprofundado, já há uma transformação na prática.

“Existe uma percepção clara sobre a importância da reciclagem e uma disposição crescente para adotar comportamentos mais sustentáveis.”

Fonte: Agência Brasil

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.