Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência do MP do Ceará registra quase mil atendimentos na capital e no interior entre janeiro e maio de 2026

O Ministério Público do Ceará divulga o balanço de atividades do Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Nuavv), em Fortaleza e no interior, de janeiro a maio de 2026. O documento registra 931 atendimentos e acolhimentos em todo o estado e reúne dados sobre a resolutividade das demandas atendidas pelo órgão, tempo médio de atendimento, quantidade de acolhimentos e encaminhamento de outros órgãos, bem como traz os principais assuntos tratados pelo núcleo. Além disso, o relatório apresenta ainda as capacitações, campanhas e eventos realizados pelo Nuavv nesse período.

“Ressaltamos o compromisso do Nuavv com o acolhimento humanizado, a articulação interinstitucional e a promoção de ações preventivas e educativas. Os resultados apresentados demonstram o impacto positivo das atividades desenvolvidas junto à rede de proteção e à sociedade, reforçando a importância do fortalecimento contínuo das políticas públicas de enfrentamento à violência”, destaca a promotora de Justiça Lívia Rodrigues, coordenadora do Núcleo na capital.

Fortaleza

Em relação aos atendimentos, o Nuavv realizou 756 em Fortaleza, distribuídos entre: 203 escutas especializadas; 79 acolhimentos (desses 19 foram demandas espontâneas); cinco visitas domiciliares; 29 cartas-convite (apresentação dos serviços do Núcleo) e 440 atendimentos remotos. Parte deles ocorreu durante Mutirão de Escuta Especializada, realizado em fevereiro. Outros 50 casos foram encaminhados para órgãos parceiros, como o Ambulatório de Atendimento às Vítimas de Violência (ATAVV), no Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto; e o Núcleo de Apoio às Vítimas de Violência Urbana (NAVV), que funciona na Universidade de Fortaleza (Unifor).

Outro destaque é no tempo médio para acolhimento inicial. Quando a vítima procura diretamente o Nuavv, isto é, demanda espontânea, o atendimento psicossocial é imediato. Quando a demanda é por encaminhamento de outros órgãos da rede de proteção, o atendimento ocorre em menos de 30 dias, após busca de contato ou localização das vítimas.

Quanto à resolutividade, dados de movimentação processual do Nuavv na capital contabilizam 447 procedimentos finalizados com a demanda atendida. Ainda nesse período de cinco meses, o Nuavv instaurou 132 novos processos.

Para garantir o acolhimento adequado das vítimas diretas e indiretas, o MP também promove curso de escuta especializada e, neste ano, já formou 67 novos técnicos. Além disso, o Nuavv elaborou material de apoio sobre violência sexual contra crianças e adolescentes direcionado a promotores de Justiça, educadores, cuidadores, adolescentes e crianças, com informações adaptadas a cada público. O balanço registra ainda mais de 30 compromissos institucionais na agenda do Nuavv, como lançamentos de campanhas, reuniões e participação em eventos.

Maio Laranja

Em referência à campanha Maio Laranja, o Nuavv intensificou a atuação para promover ações de conscientização voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. As atividades foram realizadas em oito escolas na capital, alcançando um público de 1.867 pessoas. Nas palestras, a equipe deu orientações acerca da identificação de sinais de violência, formas de denúncia, fortalecimento da rede de proteção e promoção de direitos, buscando sensibilizar e estimular o cuidado coletivo com a infância e adolescência.

As instituições contempladas foram: Escola Estadual de Educação Profissional Marwin, no bairro Cristo Redentor; Escola Estadual de Educação Profissional Joaquim Nogueira, na Parquelândia; Escola Estadual de Educação Profissional Prof. César Campelo, no Conjunto Ceará II; Escola Estadual de Educação Profissional Jaime Alencar de Oliveira; no Engenheiro Luciano Cavalcante; Escola Estadual de Educação Profissional Mário Alencar, no Jangurussu; no Liceu de Messejana, na Escola Estadual de Ensino Médio Professor Otávio Terceiro Farias, no Prefeito José Walter; e na Escola Estadual de Educação Profissional Darcy Ribeiro, no Conjunto Esperança.

Nos dias 15 e 16 de maio, o Nuavv promoveu um evento no Parque Rachel de Queiroz com palestras, apresentações artísticas e distribuição de material informativo para sensibilizar a população sobre a prevenção e o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. As atividades ocorreram com o apoio de diversos parceiros, reforçando a atuação integrada da rede de proteção.

Nuavv Sobral

Garantindo uma atuação descentralizada do MP, o Nuavv Sobral realizou 132 atendimentos. 71% das vítimas eram do gênero feminino e 92% das violências eram domésticas ou sexuais. Ao todo, foram instaurados 46 procedimentos nesses cinco meses.

Em referência ao Maio Laranja, o Nuavv Sobral também promoveu palestras educativas, alcançando cerca de 700 estudantes e professores. No município, foram contempladas as escolas: Maria Dias Ibiapino, Edgar Linhares, Professor Luís Felipe e Professor Teodoro Soares. E no município de Alcântaras, o MP esteve no Colégio Inocência Alcântara Freire.

Nuavv Cariri

Criado neste ano de 2026, o Nuavv Cariri já instaurou 16 procedimentos e registrou 43 acolhimentos. Vale destacar também a conclusão da capacitação de 160 técnicos em escuta especializada da região do Cariri. O Núcleo participou, ainda, das atividades do Maio Laranja, com um evento na Praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, que contou com atendimento ao público e reuniu representantes de órgãos parceiros. Outras ações foram promovidas na região do Cariri, como em Juazeiro do Norte e Crato, contemplando cerca de 170 estudantes e integrantes da rede de proteção.

Como entrar em contato com o Nuavv?

Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Fortaleza)
Endereço: Rua Assunção, 1100, José Bonifácio (sede da Secretaria dos Direitos Humanos)
Telefones: (85) 3218-7630 / 98563-4067
E-mail: nuavv@mpce.mp.br

Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Sobral)
Endereço: Rua Coronel José Saboia, 513 (1º andar) – Centro
Telefones: (88) 3614-4478 / WhatsApp: (85) 98563-356
E-mail: nuavv.sobral@mpce.mp.br

Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Cariri)
Endereço: Rua Edmundo de Sá Sampaio, 231 – Centro
WhatsApp: (85) 8992-0977
E-mail: nuavv.cariri-sul@mpce.mp.br

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.