Sessão da Câmara de Juazeiro do Norte é marcada por aprovação de crédito suplementar, críticas à Zona Azul e homenagem aos jovens atletas vítimas de trágico acidente

A Câmara Municipal de Juazeiro do Norte realizou, nesta quinta-feira (18), mais uma sessão ordinária no Plenário Presidenta Dra. Yanny Brena, marcada por importantes debates sobre temas de interesse da população, aprovação de projeto do Executivo e homenagens às vítimas do trágico acidente que vitimou sete jovens atletas da equipe Basquete Juazeiro. A sessão também contou com a presença de acadêmicos do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA), que acompanharam os trabalhos legislativos.

Durante o Pequeno Expediente, os vereadores manifestaram solidariedade às famílias dos jovens atletas falecidos e agradeceram ao município de Tauá e à sua população pelo acolhimento prestado aos juazeirenses diante da tragédia. Na ocasião, parlamentares também voltaram a discutir o funcionamento da Zona Azul. O vereador Lukão (PSDB) afirmou que o modelo implantado tem prejudicado o comércio local, enquanto o vereador Cleilson Móveis (AGIR) destacou que comerciantes do centro relatam queda na movimentação econômica. Já o vereador Alexandre Sobreira (DC) anunciou a conquista de recursos, por meio do deputado federal José Airton Cirilo, para a pavimentação asfáltica dos sítios Logradouro e Pau Seco, com investimento previsto de R$ 2,5 milhões.

Após aprovação da inversão de pauta, os parlamentares iniciaram a Ordem do Dia e aprovaram, por 13 votos favoráveis, um contrário e duas abstenções, a Mensagem nº 208/2026, de autoria do Poder Executivo, que trata da abertura de crédito adicional especial ao orçamento vigente. Durante a discussão, vereadores destacaram preocupações quanto ao remanejamento de recursos de áreas consideradas sensíveis, como a infraestrutura. O presidente da Câmara, vereador Felipe Vasques (PSDB), ressaltou que as decisões da Casa devem priorizar os interesses da população e determinou que a assessoria jurídica encaminhe ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas a lei aprovada, a justificativa apresentada pela Prefeitura e o contrato relacionado à matéria.

A tribuna da Casa recebeu o professor Dr. José Carlos, docente do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e da Universidade Regional do Cariri (URCA), e o padre Leandro Francisco da Silva, coordenador da Colina do Horto e da Comissão Pastoral de Romaria. Ambos abordaram o reconhecimento dos lugares sagrados de Juazeiro do Norte como patrimônio cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Os convidados destacaram a relevância da conquista para a preservação da memória religiosa, a valorização dos romeiros e o fortalecimento do turismo religioso, além da possibilidade de acesso a investimentos federais destinados à preservação desses espaços. Os vereadores defenderam mais investimentos para o bairro Horto e melhorias na infraestrutura turística da cidade.

Outro tema debatido foi a situação do Mercado Público Monsenhor José Alves de Oliveira, no Campo Alegre. O representante dos permissionários, Marcos Alan Isídio de Oliveira, utilizou a tribuna para solicitar a regularização do espaço, destacando a necessidade de garantir segurança jurídica e dignidade aos trabalhadores que atuam no local. Os parlamentares manifestaram apoio à causa e se colocaram à disposição para intermediar soluções junto ao Poder Executivo.

O debate mais longo da sessão envolveu novamente a Zona Azul. O representante da empresa Mobitt, Nilson Lopes, apresentou esclarecimentos sobre o funcionamento do estacionamento rotativo, destacando que parte da arrecadação é destinada a melhorias no trânsito e que o sistema contribui para a organização urbana. Apesar disso, diversos vereadores afirmaram que a população não compreendeu a forma de implantação do serviço e criticaram a ausência de uma campanha informativa por parte da administração municipal. Parlamentares relataram receber reclamações diárias da população e defenderam a suspensão do sistema até que sejam promovidos ajustes e maior diálogo com os cidadãos.

Durante a sessão, os vereadores também apresentaram requerimentos voltados à infraestrutura urbana, drenagem, limpeza pública, iluminação, manutenção de vias e melhorias em diversos bairros e comunidades rurais do município. Já no Grande Expediente, o vereador Lukão utilizou o tempo regimental para questionar indicadores da educação municipal e estadual, afirmando que os números divulgados não refletem a realidade encontrada nas escolas e defendendo maior atenção à qualidade da formação dos estudantes.

Ao final dos trabalhos, a Câmara Municipal prestou uma homenagem às vítimas do acidente envolvendo a equipe Basquete Juazeiro, encerrando a sessão com um minuto de silêncio em memória dos sete jovens atletas.

Foto: Aerlon Avelino

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.