Câmara de Juazeiro do Norte debate Zona Azul, infraestrutura urbana e saúde pública

A Câmara Municipal de Juazeiro do Norte realizou, nesta terça-feira (23), mais uma Sessão Ordinária no Plenário Presidenta Dra. Yanny Brena. A reunião foi marcada por debates sobre mobilidade urbana, infraestrutura, saúde pública e transparência na gestão municipal, além de uma homenagem à trajetória cultural do Juaforró, que completa 25 anos de história.

Durante o Pequeno Expediente, o vereador Boaz David (PL) fez um apelo ao prefeito de Juazeiro do Norte e à Secretaria Municipal de Segurança Pública para que seja revisto e revogado o atual modelo de funcionamento da Zona Azul no município. Já o vereador Bilinha (PT) solicitou que a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) envie uma equipe à Rua Cícero Miguel, no bairro Tiradentes, para avaliar uma lombada construída durante o período chuvoso e que, segundo moradores, vem dificultando a circulação de veículos e pedestres.

Durante os requerimentos verbais, os vereadores apresentaram uma série de solicitações voltadas à melhoria da infraestrutura urbana e dos serviços públicos. Entre os pedidos, destacaram-se reparos em vias públicas, serviços de capinação, limpeza, iluminação, recolhimento de lixo e entulhos, além de intervenções em redes de esgoto e abastecimento de água. Também houve solicitação para que a Guarda Civil Metropolitana intensifique a fiscalização da venda e utilização de fogos de artifício no município.

No Grande Expediente, a tribuna da Casa foi ocupada pelo ator, escultor, dramaturgo e um dos idealizadores do Juaforró, Raimundo Nonato Alves, o Nonato Fred. O artista relembrou a criação do tradicional evento junino de Juazeiro do Norte, que celebra 25 anos em 2026, e compartilhou momentos marcantes de sua trajetória. Durante a participação, anunciou o lançamento de um cordel de sua autoria que contará a história do Juaforró, contribuindo para a preservação da memória cultural do município. Os vereadores destacaram a relevância do evento para a identidade cultural juazeirense e reconheceram a contribuição de Nonato Fred para a valorização das tradições populares.

Ainda no Grande Expediente, a saúde pública municipal esteve no centro dos debates. O vereador Capitão Vieira (MDB) comentou sobre uma ação civil pública movida pelo Ministério Público envolvendo pedidos de esclarecimentos sobre a aplicação dos recursos da saúde em Juazeiro do Norte. O vereador Vinícius Duarte (PSD) chamou atenção para a situação de pacientes internados na UPA Lagoa Seca aguardando cirurgias há vários dias. Já o vereador Vandinho Pereira (PP) ressaltou que o município possui reconhecimento com selo ouro em transparência, mas ouviu ponderações de outros parlamentares que defenderam a necessidade de ampliar o acesso às informações públicas.

Diante das discussões, Vandinho convidou os vereadores para uma visita conjunta à Secretaria Municipal de Saúde, com o objetivo de acompanhar de perto a aplicação dos recursos e fortalecer a fiscalização do Legislativo. Em resposta aos questionamentos, o líder do governo na Câmara, vereador Rafael Cearense (Podemos), afirmou que as recomendações emitidas pelo Ministério Público não possuem caráter condenatório e que as questões apontadas decorrem de uma falha técnica já identificada e em processo de correção pela administração municipal.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.