Candidata LGBTQIA+ faz história e disputa título de Rainha da Vaquejada de Missão Velha

A edição 2026 da Vaquejada de Missão Velha será marcada por um momento histórico. A jovem Maria Elícia dos Santos Oliveira, de 22 anos, empreendedora, tornou-se a primeira candidata LGBTQIA+ a disputar o título de Rainha da Vaquejada, rompendo barreiras em um universo tradicionalmente associado à figura masculina e marcado, ao longo dos anos, por desafios relacionados à diversidade e à inclusão.

A participação de Maria Elícia representa um marco para a história do concurso e para a própria evolução social dos espaços culturais nordestinos. Em uma tradição construída por gerações e fortemente ligada à identidade do vaqueiro, sua candidatura simboliza a ocupação de novos espaços por pessoas que, durante muito tempo, estiveram à margem de oportunidades de representação. Empreendedora e missãovelhense, ela afirma que sua candidatura é um ato de coragem, representatividade e amor pela cultura popular, reforçando a mensagem de que a tradição se fortalece quando é capaz de acolher diferentes histórias, trajetórias e vivências.

A escolha da Rainha da Vaquejada é um dos momentos mais aguardados da programação oficial do evento e celebra a beleza, a elegância e a conexão das candidatas com a cultura local. Neste ano, a participação inédita de Maria Elícia acrescenta um novo capítulo à história da festa, demonstrando que a vaquejada também pode ser um espaço de respeito, diversidade e valorização das pessoas. Ao subir na passarela, ela não disputa apenas uma faixa, mas representa a coragem de desafiar preconceitos, ocupar espaços historicamente fechados à diversidade e inspirar outras pessoas a acreditarem que seus sonhos também são possíveis.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.