Ceará projeta se tornar base tecnológica do país com investimentos bilionários em Data Centers

O secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fábio Feijó, destacou grandes ações do Governo do Ceará no painel “Data Centers na Região Nordeste”, realizado nesta quarta-feira durante o evento InterSolar Brasil Nordeste, no Centro de Eventos do Estado. Dentre os pontos de destaque de sua fala, o gestor detalhou a estratégia de governo para transformar o território cearense no principal hub de economia do conhecimento do país, ancorado em uma infraestrutura sem precedentes na América Latina.

O InterSolar Brasil Nordeste é um dos principais eventos voltados ao setor de energia solar e renováveis, reunindo especialistas, investidores e gestores públicos para discutir o futuro da transição energética. A programação do painel de Data Centers focou em como a posição geográfica privilegiada do Ceará, aliada à oferta de energias renováveis (solar e eólica), cria o ambiente perfeito para atrair megaprojetos de tecnologia que demandam alta carga energética e conectividade.

Fábio Feijó apresentou o Ceará como um estado que “conjuga os verbos manter, melhorar e avançar”, se referindo à continuidade das políticas públicas de longo prazo na gestão do governador Elmano de Freitas. O grande anúncio do titular da SDE foi o detalhamento do investimento da Omnia Data Centers na ZPE Ceará (Zona de Processamento de Exportação). Foram pontos detalhados pelo titular da SDE:

Investimento total: mais de R$ 200 bilhões nas quatro fases do projeto até 2033 (valor próximo ao PIB de 2023 do Estado, que foi de R$ 232 bilhões).

Primeira fase: já em obras desde janeiro, com aporte de R$ 55 bilhões, sendo R$ 12 bilhões destinados apenas à infraestrutura física.

Dimensão física: a magnitude do projeto é comparada, em escala, a seis shoppings RioMar (unidade Papicu) após a conclusão de todas as etapas.
Conectividade: o estado já conta com 18 cabos submarinos e é a segunda região mais conectada do mundo.

“A nossa ambição é atrair o cliente do Data Center — as Big Techs e OTTs. Se o Porto do Pecém nos permite atrair a indústria tradicional, os Data Centers serão o nosso porto digital. O capital humano cearense é o nosso maior ativo, e a matéria-prima para a indústria do conhecimento é gente qualificada”, afirmou o secretário Fábio Feijó.

Ações estratégicas de Governo

O secretário elencou, também, os pilares que sustentam a atração desses investimentos, focando na integração entre energia, logística e educação:

Potencial energético híbrido: o Ceará possui capacidade de gerar até 643 GW (somando eólico e solar). Feijó destacou a “complementaridade”, onde parques híbridos geram energia 24h por dia, garantindo estabilidade aos Data Centers.

Infraestrutura logística: além dos modais aéreo e marítimo consolidados, o secretário celebrou o avanço da Transnordestina, com previsão de inauguração para o segundo semestre de 2025.

Capital humano: com 87 das 100 melhores escolas públicas do Brasil e a chegada do novo campus do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), o Estado se prepara para formar engenheiros em energias renováveis e sistemas de TI.

Política de compra local: uma inovação da atual gestão é o compromisso de “cotar” com empresas cearenses. Dos R$ 190 milhões já contratados pela Omnia em três meses, 90% foram destinados a empresas locais.

Efeito “TikTok”: Do Data Center ao Agronegócio

Um dos pontos significativos da apresentação foi como o investimento em tecnologia impactará o setor de exportação de frutas. Fábio Feijó explicou que o cliente da Omnia (como o TikTok) trará cerca de 15 cargueiros aéreos mensais da China para o Ceará a partir de 2025.

“Esses aviões virão lotados de equipamentos e voltariam vazios para a China se não tivéssemos inteligência de Estado. Estamos planejando usar o frete de retorno para exportar melão (fruta perecível), vestuário, calçados e flores. Isso é transformar tecnologia em oportunidade real para o interior do Ceará”, explicou Feijó.

Ao finalizar, o secretário reforçou que a ZPE Ceará garante segurança jurídica e isenção tributária para exportadores de serviços, transformando o estado em um polo de exportação de dados com competitividade global.

O painel contou com a mediação de Joaquim Rolim, gerente de Desenvolvimento Sustentável da FIEC, e além do secretário da SDE, reuniu lideranças estratégicas como o Rodrigo Abreu (CEO da Omnia Data Centers), Tito Costa (Chief Revenue Officer da Tecto Data Centers) e Daniel Lima (diretor da Agrosolar Investimentos Sustentáveis).

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.