Antibiótico ou anti-inflamatório: quais os riscos da automedicação?

A automedicação ainda é uma prática comum no Brasil e representa um problema sério de saúde pública. Mesmo com maior acesso à informação, o uso de medicamentos por conta própria costuma trazer consequências graves, especialmente quando há confusão entre tipos de doenças e tratamentos. Isso acontece porque, geralmente, infecções e inflamações apresentam sintomas semelhantes, mas podem ter origens diferentes, sendo causadas por vírus ou bactérias. Essa distinção é fundamental para definir o procedimento adequado.

Por exemplo, os antibióticos são indicados para infecções causadas por bactérias e sua ação pode as eliminar diretamente, impedindo a proliferação. Devido a essa característica, eles são voltados para tratamentos fortes, em um determinado período e dosagem. Contudo, é importante ressaltar que o organismo contém bactérias saudáveis e elas também são eliminadas com os agentes responsáveis pelas patologias.

Para o microbiologista Raimundo Luiz, docente do curso de Enfermagem do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Juazeiro do Norte, é essencial buscar diagnóstico adequado antes de iniciar qualquer medicação. “O uso frequente e inadequado de antibióticos faz as bactérias se adaptarem. Atualmente, medicamentos que antes exigiam menos doses já apresentam tratamentos mais longos, justamente por causa dessa resistência”, explica.

Além disso, o uso incorreto ou prolongado contribui para um problema crescente: a resistência bacteriana. Quando expostas de forma inadequada aos antibióticos, as bactérias podem sofrer mutações e se tornar mais resistentes, dando origem às chamadas superbactérias. Outro ponto de atenção é que esses medicamentos não têm efeito contra vírus, sendo ineficazes em casos de gripe e resfriado. Nessas situações, o uso não apenas é inútil, como há a possibilidade de trazer prejuízos ao organismo.

Na tentativa de reduzir esses riscos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a exigir, desde 2010, a retenção de receita médica para a venda de antibióticos. Ainda assim, a automedicação segue elevada. Segundo o Ministério da Saúde, nove em cada dez brasileiros admitem fazer uso sem orientação profissional. Esse comportamento tem impacto direto no aumento de doenças resistentes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada seis infecções comuns já apresenta algum nível de resistência a tratamentos convencionais.

“Quando o paciente apresenta infecções recorrentes, é necessário investigar a causa. Com o exame correto, é possível indicar um antibiótico específico, com base no antibiograma, evitando o uso de medicamentos de amplo espectro, que afetam também bactérias benéficas do organismo”, completa o especialista.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.