Polícia Civil prende seis suspeitos de integrar esquema de fraudes em jogos de apostas online durante operação interestadual com apoio internacional

Em uma articulação interinstitucional de forças de segurança pública estaduais, nacionais e internacionais, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio do Departamento de Polícia do Interior Norte (DPI Norte) e da Delegacia de Canindé, deflagrou, nessa quinta-feira (21), uma ofensiva com foco na desestruturação de um esquema criminoso, envolvendo influenciadores digitais e plataformas de jogos de apostas.

Intitulada “Operação Jogo Sujo”, a incursão teve ações cooperativas com agências de segurança dos Estados Unidos e polícias civis dos estados do Ceará, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso. Em resultado aos esforços empreendidos, seis mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

Conforme as investigações, os alvos atuavam no município de Canindé, na Área Integrada de Segurança Pública 4 (AIS 4) do Ceará. No entanto, os administradores das plataformas encontravam-se distribuídos em diversos estados do Brasil e possuíam conexões internacionais na Espanha e China. Outros levantamentos apontam, ainda, que os integrantes do grupo, em conluio com as plataformas de jogos, simulavam premiações ao vivo com o objetivo de induzir seus seguidores a realizarem apostas.

Cooperação internacional inédita

No curso das diligências, uma ação integrada entre a Polícia Civil do Estado do Ceará e agências de segurança do dos Estados Unidos da América (EUA) culminou na prisão de um dos principais alvos da Operação Jogo Sujo. Instalado em Santa Catarina, o homem identificado como o detentor do maior poder financeiro do grupo criminoso, de 41 anos, buscou se evadir do país rumo ao território norte-americano.

De acordo com as diligências policiais, o alvo embarcou em um voo no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com destino a Orlando, na Flórida. Diante dos fatos, os agentes da PCCE agiram de forma imediata entrando em contato com o Serviço de Segurança Diplomática (DSS) da Embaixada Americana. A mobilização rápida envolveu outras duas agências dos EUA: o Serviço Secreto (USSS) e a Força de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).

Como resultado da articulação internacional, o investigado teve seu visto revogado e, ao tentar desembarcar na Flórida, teve a entrada negada pelas autoridades americanas, sendo colocado em um voo de retorno ao Brasil. No desembarque em Guarulhos, uma equipe da PCCE, com apoio da Polícia Federal (PF), realizou a prisão do suspeito.

Bloqueios judiciais e bens de luxo apreendidos

Diante do cumprimento dos mandados de busca e apreensão e do pedido de bloqueio bancário, a operação também atingiu a estrutura financeira do grupo criminoso. A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias de 17 alvos, totalizando cerca de R$85 milhões retidos. Paralelamente, foram apreendidos veículos e bens de alto padrão, como lanchas, carros de luxo e relógios que, somados, superam o valor de R$8,5 milhões.

Denúncias

A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via “e-denúncia”, o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.

As informações também podem ser encaminhadas para o telefone (85) 3343-6813, da Delegacia de Polícia Civil de Canindé. O sigilo e o anonimato são garantidos.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.