O descarte irregular deu lugar à destinação correta de resíduos neste domingo (20), nas trilhas da Floresta Nacional do Araripe (FLONA). Um mutirão voluntário no Complexo Ambiental Mirante do Caldas, em Barbalha, retirou mais de 40 sacos de 250 litros de lixo da natureza. Durante o percurso, os voluntários depararam-se com uma triste realidade e recolheram materiais inusitados, como televisores, pneus, fraldas, marmitas e até material hospitalar. Entre os resíduos mais comuns, chamou a atenção o alto volume de vidro, especialmente garrafas de bebidas alcoólicas, que representam um alto risco de incêndios e acidentes na floresta.
A iniciativa, que ligou a região do Cariri ao Dia Mundial da Limpeza, um movimento global chancelado pela Organização das Nações Unidas (ONU), foi promovida pela Regenera Cariri com o apoio do Complexo Ambiental Mirante do Caldas, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (BPMA) da Polícia Militar do Ceará. Todo o material recolhido nas trilhas será devidamente triado pela Associação dos Catadores de Recicláveis de Barbalha (ACARB) e posteriormente terá a sua destinação ambientalmente adequada.
No caso dos recipientes com bebidas alcoólicas, o vidro pode causar o “efeito lupa”: o material exposto ao sol intenso atua como uma lente que concentra os raios solares na vegetação seca, inflamando folhas e galhos rapidamente, iniciando focos de incêndio. Para os participantes, o sentimento foi de choque, mas também de dever cumprido. “Infelizmente, encontramos de tudo aqui: pneu, capota de carro, um saco de fralda suja e até garrafa cheia com urina”, relatou Josefa Simão, uma das voluntárias. Ainda segundo ela, não é preciso esperar uma data como esta para recolher os resíduos. “E não esperar esse dia, é uma coisa que tem que ser feita sempre. E não precisa ser uma ação, a ação quem faz somos nós, né? Sei que eu tô fazendo o bem, eu vou sair daqui revigorada”.
Para Ingrid Botelho, gerente da Regenera Cariri, o balanço vai muito além do volume retirado. “O resultado impressiona pela quantidade, mas o nosso maior ganho é na educação ambiental. Quando as pessoas veem o impacto real do lixo na floresta, a mentalidade muda. Esse é o grande legado prático deste mutirão”, destaca.
Integrando a força-tarefa, o conselheiro da Flona e guia de visitantes, Romilson Seabra, ressaltou a importância de vivenciar a floresta com respeito. “Este trabalho de voluntariado é fantástico porque faz com que as pessoas possam sentir verdadeiramente que o ambiente também é seu”, afirmou o guia. “O lixo é para estar no seu lugar, não na floresta. Como é que vamos andar nas trilhas com lixo? É mobilizando o voluntariado e a educação ambiental que vamos conseguir preservar a Floresta Nacional do Araripe”.





