Pressão alta pode causar doenças no coração e AVC

Foi em uma consulta de rotina que a agricultora Miriam da Silva Oliveira, 56, descobriu que tinha hipertensão. Sem sintomas, a moradora do município de Maranguape lembra que foi no cardiologista que o diagnóstico veio. “Deu um pouco de alterações seguidas vezes e ele prescreveu uma medicação para tratar. Eu nunca apresentei desmaios, nem tontura e nem tive dores”, lembra.

Só depois surgiu o desconforto, seguido de dor e náusea. No Hospital Regional Vale do Jaguaribe (HRVJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), ela realizou um cateterismo e  descobriu uma obstrução.

A agricultora, que também tem diabetes, diz que mudou hábitos, reduzindo sal e as gorduras, para que possa viver mais e ter uma melhor qualidade de vida. “Evito açúcar, como bastante frutas e verduras. Evito carne vermelha e dou preferência a peixe e frango”, pondera.

No dia 26 de abril, comemora-se o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. Silenciosa, a doença pode ter cunho genético ou ser secundária a outras condições, como problemas na tireoide ou nos rins. Muitas vezes, o paciente só descobre quando procura atendimento profissional devido a outras complicações. Por isso, é imprescindível que pessoas a partir de 20 anos realizem a aferição da pressão arterial pelo menos uma vez ao ano. Se houver histórico na família, esse monitoramento deve ser mais frequente.

Prevenção e dagnóstico precoce

O HRVJ é referência em cateterismos eletivos na região. A pressão alta é um dos principais fatores de risco para doença arterial coronariana, AVC, infarto, aneurisma e insuficiência renal e cardíaca.

O médico cardiologista do HRVJ, Gustavo Araripe, pontua que a doença acomete cerca de 30% da população. “Para prevenir, alguns cuidados devem ser tomados, como não fazer uso abusivo de sal, realizar atividade física regular, ter uma boa alimentação e evitar álcool, cigarro e outras drogas“, explica.

O especialista afirma ainda que a doença pode ser diagnosticada precocemente. “Muitas vezes, o paciente é assintomático e, na consulta médica, a gente pode fazer a aferição da pressão arterial junto ao histórico familiar e dar um diagnóstico precoce”, explica Gustavo.

Pressão alta

É considerado hipertenso o paciente que tem níveis de pressão arterial maiores ou iguais a 14 por 9 (140/90 mmHg). Araripe alerta que as pessoas com os valores próximos a esse número precisam tomar alguns cuidados com relação ao estilo de vida e fazer a prevenção no que tange ao surgimento da hipertensão. “É importante evitar ingestão de gordura e preferir vegetais, verduras. A hidratação também é importante”, ressalta.

Para os pacientes que já têm o diagnóstico de hipertensão, também é de suma importância se atentar aos cuidados, inclusive com o uso correto das medicações, bem como utilizá-las conforme as prescrições médicas, além de fazer visitas regulares ao cardiologista e manter a prática regular da mudança do estilo de vida para preservar os níveis adequados de pressão arterial.

O controle da pressão arterial está disponível pelo SUS. A população pode aferir a pressão nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos municípios. A Rede Sesa também oferece acompanhamento especializado no Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH). Nos casos mais graves, o atendimento é realizado nos hospitais estaduais e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.