Nordeste: muito além do turismo, a nova praia da indústria inteligente

O Nordeste brasileiro se consolida como a nova fronteira da indústria inteligente no país, mas enfrenta gargalos estruturais que podem comprometer esse potencial. Segundo relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 74% dos empresários industriais consideram as condições de infraestrutura da região como regular, ruim ou péssima.

Entre as lacunas identificadas, a qualidade do fornecimento elétrico desponta como ponto crítico para a operação de empresas que dependem de carga estável. O cenário contrasta com o protagonismo regional na geração limpa. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Nordeste foi responsável por 68% de toda a nova capacidade instalada no Brasil em 2024, somando mais de 7 mil MW. Desse crescimento, 91,13% veio de usinas eólicas e solares fotovoltaicas.

Estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Piauí, Ceará e Pernambuco lideram esse avanço, impulsionados por condições geográficas privilegiadas. O território potiguar, por exemplo, gera 98% de sua eletricidade a partir de fontes sustentáveis e concentra cerca de 30% da produção eólica nacional.

“O Nordeste reúne hoje ativos estratégicos para se consolidar como um polo industrial sustentável. Temos energia limpa em escala, localização privilegiada para exportação e um ambiente de negócios cada vez mais atrativo. Mas não basta gerar em quantidade; é fundamental garantir estabilidade e confiabilidade na ponta do consumo”, afirma Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta.

Para transformar essa abundância em produtividade, a modernização dos ativos elétricos é decisiva. Investimentos em automação, subestações modernas e sistemas de monitoramento em tempo real permitem antecipar falhas, responder rapidamente a oscilações e assegurar operações contínuas.

Esse nível de previsibilidade é essencial para setores eletrointensivos, como a fabricação de semicondutores e centros de processamento de dados. Nesses segmentos, qualquer instabilidade mínima pode resultar em perdas produtivas severas, danos a equipamentos de alto valor e riscos à segurança operacional.

“A infraestrutura precisa evoluir no mesmo ritmo da geração. Redes automatizadas e subestações inteligentes são o caminho para transformar o potencial energético nordestino em vantagem competitiva real. A região pode liderar a transição industrial do Brasil, se contar com uma rede à altura desse desafio”, conclui Dias.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.