Indústria cearense debate desafios para ampliar acesso a recursos de inovação

As dificuldades enfrentadas pelas empresas para acessar incentivos fiscais e recursos destinados à inovação estiveram entre os principais temas de um encontro realizado nesta quarta-feira (4), na Federação das Indústrias do Estado do Ceará, em Fortaleza. A iniciativa, promovida pelo Núcleo da Nova Indústria Brasil no Ceará (N-NIB Ceará), iniciativa da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) em parceria com a FIEC e o IFCE, reuniu aproximadamente 70 pessoas para discutir alternativas de financiamento e desenvolvimento tecnológico para a indústria.

Durante a abertura, o presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, defendeu mudanças que facilitem o acesso das empresas aos benefícios da Lei do Bem. Ele apontou que a exigência de tributação pelo lucro real para acesso aos benefícios restringe o alcance do mecanismo e destacou a necessidade de atualizar a legislação, reduzir a burocracia e fortalecer a articulação entre governo, universidades e setor produtivo.
Cavalcante também apresentou o trabalho de mapeamento desenvolvido pelo Observatório da Indústria Ceará, que reúne informações sobre empresas, infraestrutura e recursos estratégicos do estado. Segundo ele, esses dados podem auxiliar empresários e pesquisadores na identificação de oportunidades e no planejamento de novos investimentos.
O encontro integra as ações do Programa NE 4.0, coordenado regionalmente pela Sudene para apoiar a implementação da Nova Indústria Brasil (NIB), política do governo federal voltada à modernização e ao fortalecimento do setor industrial. Nesse contexto, o N-NIB Ceará atua na aproximação entre empresas, instituições de pesquisa e mecanismos de fomento.
Segundo o diretor de Promoção do Desenvolvimento Sustentável da Sudene, José Farias, o trabalho dá continuidade às iniciativas de transformação digital desenvolvidas na Região, com atenção especial às pequenas e médias indústrias. A estratégia busca estimular a incorporação de novas tecnologias aos processos produtivos e, no Ceará, conta com a parceria do Instituto Federal do Ceará (IFCE), responsável pela coordenação estadual do N-NIB.
Como parte dessas ações, o Núcleo trabalha na estruturação de sete projetos industriais no estado. De acordo com a coordenadora do N-NIB Ceará, Rejane Sá, a elaboração de um deles já foi concluída, três estão em desenvolvimento e os demais devem avançar nas próximas semanas. O trabalho inclui a elaboração de propostas, a busca por financiamento e a orientação às empresas sobre os requisitos para participar de programas de fomento.
Rejane explicou que o desconhecimento sobre os critérios de acesso a incentivos fiscais, subvenções econômicas e editais ainda dificulta a participação de empresas de diferentes portes. Nesse contexto, o encontro buscou esclarecer dúvidas e aproximar o setor produtivo das instituições responsáveis pelos mecanismos de financiamento.

A programação foi dividida em dois painéis. Pela manhã, os participantes discutiram incentivos fiscais para pesquisa, desenvolvimento e inovação, com a participação de representantes da indústria e de instituições de ensino. À tarde, o debate abordou instrumentos de financiamento e oportunidades de apoio ao setor produtivo, com representantes da Finep e da Sudene.