III Seminário ERER apresenta redução de estudantes sem autodeclaração racial na rede municipal

O número de estudantes não autodeclarados no Censo Escolar da rede municipal de Juazeiro do Norte caiu de 61%, em 2021, para 2,6% em 2025. Os dados foram apresentados durante o III Seminário de Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER), realizado nos dias 19, 20 e 21 de maio.

De acordo com a Comissão ERER, a redução é resultado do trabalho desenvolvido nas escolas da rede por meio de ações de educação antirracista, como o projeto ERER Itinerante, que promove rodas de conversa e atividades educativas sobre raça, cor e autodeclaração. Durante os encontros, os estudantes também podem esclarecer dúvidas e compartilhar experiências.

Os dados apontam ainda que cerca de 70% dos estudantes da rede municipal se autodeclaram pretos ou pardos. A partir dessas informações, a rede desenvolve estratégias pedagógicas voltadas à valorização das identidades raciais e ao desenvolvimento integral dos estudantes, considerando as diferentes realidades sociais e culturais.

SOBRE O EVENTO

Com o tema “Ninguém aprende onde não se reconhece: alfabetização, identidade e justiça social”, o III Seminário ERER reuniu professores e profissionais da educação em palestras e debates sobre educação antirracista e valorização das culturas negras e indígenas.

Nesta edição, o evento também homenageou educadores com a comenda PRETAI – “Professores de Referência na Educação para a Transformação Afroreferenciada e Indígena” – dedicada a profissionais que desenvolvem ações de combate ao racismo e promoção da igualdade racial no ambiente escolar.

Promovido pela Secretaria Municipal de Educação (Seduc), por meio da Comissão de Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER), o seminário é realizado anualmente e busca fortalecer o debate sobre identidade, inclusão e valorização da diversidade nas escolas da rede municipal.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.