Idosos do Crato celebram inclusão digital e autonomia em formatura do projeto Chá Tecnológico e Social

Um dia para celebrar a superação. Foi realizada a certificação de 31 idosos que concluíram o curso do projeto Chá Tecnológico e Social. Demonstrando um compromisso exemplar com o aprendizado, a turma do Crato alcançou uma marca histórica: 100% de aproveitamento, sem nenhuma desistência desde o início das atividades. Como coroamento dessa jornada de inclusão digital, além dos certificados, todos os participantes foram inseridos digitalmente de forma definitiva ao receberem um tablet individual. A solenidade de entrega dos certificados ocorreu na manhã desta quarta-feira, 27, no auditório da OAB Crato.

O principal objetivo do projeto vai muito além do manuseio de ferramentas digitais; busca contribuir ativamente para o aumento da autonomia, independência e qualidade de vida da pessoa idosa. Ao utilizar a tecnologia como meio, a iniciativa potencializa a socialização, a descoberta de novos conhecimentos, o desenvolvimento de habilidades e a construção de novos propósitos de vida para os participantes.

Conexão e novas habilidades

Iniciado em setembro do ano passado, o curso propiciou uma imersão que uniu o universo digital a diversas outras competências práticas e artísticas. Durante o processo formativo, os 31 alunos se dividiram e trabalharam em várias frentes de desenvolvimento pessoal e coletivo.

Entre as oficinas integradas, o projeto contabilizou a participação dos estudantes em áreas como Redes Sociais (10 alunos), Educação Financeira (08), Turismo Digital (03), Fotografia Digital (05), além de atividades voltadas à saúde e expressão cultural, como Nutrição (07), Ginástica (07), Coral (02), Desenho e Pintura (06), Bordado (03), Crochê (02), Culinária (01) e Cultivo de Plantas (01). O foco holístico garantiu o crescimento dos idosos em eixos fundamentais como direito, educação financeira e saúde física e mental.

Para os formandos, o momento representou um divisor de águas. Os depoimentos das alunas traduzem o impacto profundo do projeto no cotidiano e na autoestima de cada um. A estudante Cícera Silveira Lopes destacou como o aprendizado prático abriu horizontes para o futuro e trouxe proteção no ambiente virtual. O sentimento de renascimento e acolhimento foi compartilhado de forma emocionante por Rozamy da Silva Leonardo, ex-professora de inglês, que encontrou nas aulas um novo sentido para o dia a dia. “Eu estava morta e hoje estou viva, e ainda ganhei um tablet! Eu dava aulas de inglês e esse curso foi uma terapia, uma alegria, um lazer. Aprendi a fazer Pix e a passar e-mail. Agradeço e parabenizo o Idear. As professoras são humanas, pacientes e compreenderam a gente. O que tiver mais, quero fazer parte”, celebrou Rozamy.

Parceria institucional e expansão

A execução do projeto é fruto de uma articulação sólida que envolve recursos públicos, gestão do terceiro setor e o apoio do município. Cristina Luz, coordenadora do projeto e representante do Instituto de Desenvolvimento, Estratégia e Assistência Regional (Idear), ressaltou a seriedade necessária para conduzir a iniciativa e a gratidão pelo resultado no município.

“Trabalhar com esse projeto é um desafio, porque gerenciar o recurso público requer muita responsabilidade com todas as regras de gerenciamento. Estamos com uma parte da equipe focada nisso, mas ouvir esses depoimentos compensa qualquer coisa. Hoje estamos comemorando a persistência de vocês e o dia a dia dedicado a esse conhecimento. Vocês tiveram a vontade de arriscar e estão colhendo tudo. Buscamos inovar a todo momento e não tivemos nenhuma desistência no Crato”, discursou a coordenadora.

O diretor executivo do Idear, Vagner Araújo, reforçou a importância estratégica do poder público local como ponte para transformar realidades. “Estamos buscando sempre melhorar e, até o momento, todos os nossos indicadores estão bem positivos”, pontuou, parabenizando o esforço coletivo. No âmbito estadual, o projeto já beneficiou mais de 2 mil pessoas, sendo que, nos últimos meses, foram capacitados em todo o Ceará, quase 600 idosos.

O fortalecimento das políticas públicas voltadas à longevidade ativa também foi endossado pelas lideranças locais. John Mirclei, presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa, avaliou positivamente o impacto social da ação. “Essa é uma forma mínima da sociedade civil retribuir para vocês”, afirmou.

Encerrando a solenidade, o secretário de Assistência Social e Cidadania do Crato, Rondinele Brasil, enalteceu a parceria com o instituto e manifestou o desejo de expandir o projeto no município, sem deixar de reconhecer o papel crucial do Conselho e, principalmente, dos alunos. “Agradecemos ao conselho que nos ajuda a prestar e a oferecer um serviço de qualidade. Parabenizo todas e todos os participantes por não terem desistido. Vocês foram indispensáveis para que esse curso existisse”, concluiu o secretário.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.