À medida que o Brasil avança na adoção de novos documentos de identidade, os fraudadores também adaptam seus golpes. Modelos da Carteira de Identidade Nacional (CIN) e do Documento Nacional de Identidade (DNI) já estão sendo adulterados, com alterações de fotos, nomes e outros dados, para tentativas de validação de identidade, abertura de contas em nome de terceiros e contratação de serviços. No segundo trimestre de 2026, os dois formatos estavam presentes em quase 1 em cada 4 (23,1%) das tentativas de fraude envolvendo documentos analisados pela Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil.
A presença dos novos modelos nas tentativas de fraude não significa, porém, que eles sejam mais vulneráveis. No primeiro semestre, a CIN apresentou risco até 77% menor que a CNH, enquanto o DNI chegou a um índice 88% menor. Os dois formatos ainda registraram leve aumento de risco ao longo do período, sinalizando que as tentativas de adulteração começam a acompanhar sua adoção no país. Os dados fazem parte do Mapa da Fraude da datatech, em seu recorte do 1º semestre de 2026.
“A evolução dos documentos traz avanços importantes para a identificação dos brasileiros, mas também exige que os mecanismos de prevenção acompanhem as novas formas de adulteração. Não basta avaliar um único elemento: é preciso combinar a análise documental com outras camadas de autenticação para identificar inconsistências e barrar tentativas de fraude sem prejudicar a experiência dos usuários legítimos”, explica o Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, Leandro Bartolassi.
“Kit Laranja”: Mais de 18 modelos adulterados de CIN são identificados em esquema de documentos falsos
Uma investigação do time de inteligência analítica e antifraude da Serasa Experian identificou, entre maio e junho deste ano, mais de 18 modelos adulterados da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN). Os criminosos usam esses modelos como uma espécie de “molde”: mantêm a estrutura do documento, mas trocam nome, foto e outras informações para criar diferentes versões adulteradas. O esquema foi chamado de “kit laranja”.
Com um mesmo modelo, o fraudador consegue produzir diferentes documentos e reutilizá-los em novas tentativas de fraude. Em vez de começar uma falsificação do zero a cada vez, ele reaproveita a estrutura e modifica apenas os dados necessários. A inteligência artificial pode tornar esse processo ainda mais rápido, facilitando a criação e a alteração de fotos, dados e outros elementos. Assim, um único modelo pode dar origem a diversas identidades adulteradas, aumentando a capacidade de replicação do golpe.
“Olhar apenas para a aparência do documento já não é suficiente diante da evolução das técnicas de fraude. É necessário avaliar a consistência das informações, os elementos documentais e outros sinais de risco ao longo da jornada. Uma estratégia em camadas permite aumentar a capacidade de identificar padrões suspeitos sem necessariamente adicionar fricção para todos os usuários legítimos”, acrescenta o diretor da datatech. Fraudes de identidade exigem atenção às novas táticas O movimento ocorre em um cenário no qual as tentativas de fraude de identidade continuam evoluindo em diferentes frentes. O Mapa da Fraude analisou 181 dias de operações de cadastros e validações de identidade no primeiro semestre de 2026 e identificou 2,86 milhões de casos classificados como alto risco pelas soluções da Serasa Experian. Com aumento de 32,9% na comparação com o mesmo período de 2025, foi registrada uma ocorrência a cada 5,5 segundos. As tentativas bloqueadas estiveram associadas a um prejuízo evitado estimado em R$ 3,77 bilhões no período.
Além da adulteração de novos documentos, a análise identificou outras formas de sofisticação dos ataques, incluindo o uso de tecnologias de comparação facial pelos próprios fraudadores. Os movimentos reforçam a necessidade de estratégias de prevenção capazes de acompanhar não apenas o volume das tentativas, mas também a transformação contínua das técnicas utilizadas para burlar jornadas digitais. Dicas para consumidores • Não compartilhe fotos de documentos ou selfies com o documento em mãos por redes sociais, aplicativos de mensagem ou canais não oficiais; • Forneça documentos e dados biométricos apenas em ambientes confiáveis e oficiais, como aplicativos e sites legítimos das empresas; • Desconfie de pedidos inesperados de fotos ou reconhecimento facial, principalmente quando feitos por links recebidos por mensagem, e-mail ou QR Code; • Não permita que desconhecidos fotografem seu rosto ou seus documentos, mesmo sob justificativas de cadastro, confirmação de identidade ou atualização de dados; • Evite publicar imagens de documentos nas redes sociais, mesmo que parte das informações esteja coberta; • Proteja celular e aplicativos com senhas fortes e autenticação em dois fatores e mantenha sistemas e aplicativos atualizados; • Monitore regularmente seu CPF e fique atento a contas, compras, empréstimos ou serviços que não reconhece; • Ao identificar movimentações suspeitas, entre em contato diretamente com a empresa envolvida pelos canais oficiais. Dicas para empresas • Não dependa de uma única forma de autenticação. Combine biometria facial, validação documental, prova de vida, dados cadastrais, análise de dispositivos e outros sinais de risco; • Cruze informações do documento com outras fontes e sinais de identidade, evitando que uma imagem aparentemente válida seja suficiente para concluir o onboarding; • Utilize tecnologias capazes de identificar adulterações documentais, inconsistências entre dados, fotografias e elementos do documento apresentado; • Associe reconhecimento facial a mecanismos de prova de vida, ajudando a verificar não apenas a similaridade entre rostos, mas a presença de uma pessoa real durante a autenticação; • Monitore tentativas repetidas e padrões de comportamento suspeitos, como diferentes rostos associados a uma mesma identidade ou a reutilização de estruturas documentais; • Analise sinais do dispositivo e da jornada digital, que podem revelar conexões entre diferentes tentativas de fraude; • Adote uma estratégia de prevenção à fraude em camadas e com decisões orquestradas, aprofundando as verificações quando houver maior risco sem adicionar fricção desnecessária aos usuários legítimos; • Atualize continuamente modelos e regras antifraude, já que novas técnicas, documentos e tecnologias também são rapidamente incorporados às estratégias dos criminosos. |
Metodologia Este levantamento do 1º semestre de 2026 do Mapa da Fraude considera exclusivamente ocorrências detectadas durante processos de cadastro e validação de identidade, também chamados de onboarding. |




