PORLícia Maia
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Para a grande maiorias das pessoas que menstruam o absorvente não é uma das opções, e sim a única opção. Geralmente, isso se dá não pela falta de alternativas, mas pela difusão do aparato na sociedade como o mais usado. É necessário alguns anos de vida e experiência no assunto para parar e perceber que o absorvente pode deixar de ser a regra e transformar suas escolhas.

Dentre as opção de contenção do fluxo menstrual temos o coletor (ou copinho, como alguns chamam). Novo no meio brasileiro e ganhando cade vez mais espaço no mercado, ainda há muito receio com o seu uso. Para isso viemos aqui apresentar alguns dos seus prós e contras, assim como a experiência de algumas mulheres com o item.

A primeira vantagem que o coletor traz é ser reutilizável, podendo durar até 10 anos, mas para isso alguns cuidados são necessários. Antes da primeira utilização de cada ciclo (mês) é preciso ferver por alguns minutos, assim como lavar a cada troca e, ao fim, guardar em local apropriado (saco ou caixinha que o próprio coletor vem). Cada marca tem sua própria indicação de como preservar o produto.

Ao contrário do absorvente interno, ele é inserido na entrada da vagina e não no fundo do canal. A depender do fluxo a troca pode ser em poucas horas (há pessoas que “enchem” um coletor muito rápido, por ter um fluxo alto) ou pode permanecer por até 12 horas com o coletor sem trocas.

Os preços variam de acordo com a marca, podendo ir de R$40,00 a R$100,00. Lembrando que, apesar de o preço ser alto, o investimento é de longo prazo.

Como nem tudo são flores, há também desvantagens. Para inserir o coletor é necessário encontrar a dobra certa, e até lá é preciso puxar um pouco pela paciência e insistência. Gabriella Ramos, estudante e adepta do coletor há cinco meses fala que o começo foi difícil pela adaptação e o processo de descobrir a dobra, “tentei umas 3 dobras e tive que molhar o coletor pra poder deslizar melhor, mas depois que você se acostuma ele é muito bom, por não deixar cheiro nem incomodar”. Ela também fala que descobriu que tinha o colo do útero baixo através do uso do coletor.

A altura do colo é o que determina até onde o seu coletor vai, e para muitas mulheres de colo baixo, como Gabriella, é necessário cortar o cabo do fim do produto (usado para ajudar a puxar para fora do corpo na hora da troca). “Eu tive que cortar o cabo do coletor,
e fiz isso aos poucos, até ter segurança de retirar o item sem o cabo”, conta.

Sobre a escolha do coletor como sua principal opção no período menstrual ela diz que além de ser uma alternativa sustentável é também econômica.

Emanoella Callou, jornalista e adepta do coletor há 3 anos, conta que abandonou de vez os absorventes depois de conhecer o produto. “Eu soube da existência do coletor há uns 7 anos, uma prima minha já usava e eu achei estranho quando descobri, mas depois eu fui pesquisando mais a respeito e me interessei em usar. Detestava o absorvente e estar menstruada por causa disso, hoje a relação que tenho com a menstruação é totalmente diferente, você passa a gostar e conhecer mais seu corpo e esse processo tão natural”, diz ela.

Há relatos de pessoas que afirmam redução nas cólicas e infecções depois do uso do copinho, assim como outras afirmam o aumento nas cólicas pela pressão gerada por alguns tipos de coletores.

“Os absorventes tem produtos químicos que ficam em contato com a pele, além de ser ruim ficar em contato com o próprio sangue coagulado”, diz a jornalista enquanto relata porque escolheu usar o coletor.

Apesar de tudo, o momento da troca para higienização e inserção novamente exige cuidados que podem ser dificultados em banheiros públicos ou coletivos, por exemplo.

Sabendo dos prós e contras, a opção pelo copinho segue aumentando. O ambiente e a relação com o próprio corpo agradecem a mudança.