Do Cariri para o mundo: Filme gravado em Aurora é selecionado para o Festival Internacional FestCine Pedra Azul.

Um filme que resgata a história da “Mártir Francisca”, uma jovem de 16 anos assassinada em um contexto de violência de gênero há mais de 60 anos e que se tornou símbolo de devoção popular na cidade de Aurora (CE) foi selecionado para integrar FestCine Pedra Azul (Festival Internacional de Cinema de Pedra Azul), que ocorrerá entre os dias 25 e 26 de setembro de 2026, no Espírito Santo.
“Uma Voz Chamada Francisca” é longa-metragem dirigido por Lamarck Dias e roteirizado por Vaniele Oliveira, que carrega uma bagagem cultural e social densa. A obra não se limita ao aspecto religioso; ela usa a tragédia histórica para provocar reflexões urgentes e contemporâneas sobre o feminicídio, a violência contra a mulher e as estruturas patriarcais.
Para o diretor Lamarck Dias, a projeção da produção caririense em um festival internacional traz impactos significativos em várias frentes, “Levar uma narrativa tão íntima do sertão cearense para as telas do FestCine Pedra Azul permite que um recorte da fé, do imaginário e da história do Cariri ganhe visibilidade nacional e internacional, dialogando com novos públicos e críticos de cinema” afirma.
O evento cultural FestCine Pedra Azul é qualificado pelo Internet Movie Database (IMDb) e consolidou-se como um dos mais charmosos e prestigiados do país, pois vem sendo realizado anualmente no paradisíaco distrito de Pedra Azul, no município de Domingos Martins (ES), onde une de beleza natural da região serrana capixaba à potência do cinema independente nacional e internacional. O festival tem como premiação a exibição e a concorrência ao troféu Rota do Lagarto.
Ao ser selecionado para estar no FestCine Pedra Azul, Uma voz de Francisca rompe as fronteiras geográficas do Ceará para ecoar fortemente no cenário cinematográfico brasileiro. “É o triunfo da memória contra o esquecimento e a celebração de um cinema feito com alma, comunidade e urgência social” diz o diretor. Para ele, participar do festival é colocar em pauta discussões cruciais sobre direitos de gênero através da arte, fazendo com que o cinema cumpra seu papel mais nobre: o de conscientização social e transformação.
Francisca- o filme ganhou forte repercussão regional além de atrair a atenção de críticos, artistas de renome nacional e até de jurados do Globo de Ouro nas redes sociais devido à força de seu trailer e proposta estética. O FestCine abre portas para novas distribuidoras, amplia as chances do longa circular por outras mostras pelo mundo e valoriza o portfólio de toda a equipe e elenco, tanto profissionais quanto estreantes. Além disso, coloca o diretor Lamarck Dias e a produtora Lamarck Promoções sob os holofotes de críticos e profissionais do setor.
“Ver o resultado de uma produção coletiva e interiorizada ser selecionado em um festival de prestígio chancela a qualidade do cinema feito fora dos grandes eixos metropolitanos. É o reconhecimento de que a periferia e o interior produzem cinema técnico e artisticamente competitivo”, encerra Lamark.
A produção de Uma Voz Chamada Francisca foi apoiada pela Lei Paulo Gustavo, Fundação José Alves Magalhães, Academia Aurorense de Letras e Arte e Empresários regionais.

🎬 A Trama e a Inspiração Real
O filme é inspirado em uma história real e marcante da região do Cariri: a trajetória de Francisca Augusto da Silva, uma jovem de 16 anos que foi assassinada pelo ex-noivo na década de 1950. Com o tempo, ela se tornou conhecida na devoção popular como “Mártir Francisca”, um símbolo de fé e identidade cultural na região.
Na narrativa, acompanha-se o romance entre Francisca, uma jovem meiga, e Chico, um rapaz de família tradicional. Quando o pai de Francisca recusa o pedido de casamento — alegando que a filha mais velha deveria se casar primeiro —, Chico decide romper a relação. Embora Francisca aceite o término com um sentimento de alívio, Chico se arrepende e passa a tentar reconquistá-la a todo custo, desencadeando um desfecho trágico.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.