Crato ganha Jardim Botânico e amplia espaços de preservação ambiental, pesquisa científica, lazer e turismo

Uma área voltada para a preservação, ciência e educação ambiental, além do turismo de natureza, foi criada oficialmente em plena Chapada do Araripe, nesta quinta-feira, 17, pelo município do Crato. Trata-se de um espaço de quase 30 hectares, denominado Jardim Botânico, que se destaca por sua biodiversidade e vocação para a conservação. O local conta com fontes naturais e uma rica flora que servirá de campo de estudo para as universidades e institutos da região. Além disso, abriga em seu habitat o soldadinho-do-araripe, ave endêmica exclusiva da região do Cariri.

A assinatura do decreto de criação aconteceu no próprio local, no sítio Caiana, no bairro Grangeiro, com a presença de diversas autoridades estaduais e municipais. O terreno, situado em uma área privilegiada ao sopé da Chapada do Araripe, havia sido cedido anteriormente a uma empresa, mas retornou ao patrimônio da municipalidade no ano passado. Para os participantes do evento, o espaço representa um verdadeiro presente para toda a região.

Na ocasião, foi anunciada a iniciativa de criação de um Plano de Manejo para a área. Esse plano será construído em conjunto com a comunidade, o poder público e entidades ambientais para definir o uso do espaço de forma sustentável, integrando ações de educação, turismo, pesquisas científicas, vivência em trilhas e lazer, além de como deverá ser formatado o Jardim Botânico.

Equipamento de importância regional

O prefeito do Crato, André Barreto, propôs no ato da assinatura que o local seja denominado Jardim Botânico do Cariri. Diante da relevância da área, o gestor afirmou que o espaço receberá olhares mais direcionados. “Temos testemunhos da flora nativa e da nossa área de fonte. E temos o soldadinho-do-araripe, que é uma ave endêmica, apenas na nossa região”, destacou.

Atualmente, o Crato ocupa a 43ª posição no ranking nacional de cidades com mais unidades de preservação. O dado foi ressaltado pelo chefe do Núcleo Gestor do ICMBio, Carlos Augusto Pinheiro, que reforçou a relevância científica do Jardim Botânico devido à presença de espécies nativas ideais para pesquisas. Ele também enfatizou a necessidade de fortalecer parcerias entre os diversos órgãos ambientais. “O Crato é pioneiro na criação da primeira unidade de uso sustentável, a Floresta Nacional do Araripe (Flona), e aqui é o berço da biodiversidade. Somos responsáveis por ela”, constatou Pinheiro.

Além da proteção a essas espécies, André Barreto lembrou o impacto direto do ecossistema na qualidade de vida local, proporcionado pelas unidades de conservação e pela imponência da Chapada do Araripe. “Sinto-me muito feliz de estar criando mais uma unidade de preservação em nosso município”, concluiu o prefeito.

Autoridades ambientais e políticas estiveram presentes, como o secretário Executivo de Meio Ambiente e Mudança do Clima, Pedro Maia, que destacou o Jardim Botânico com importantes especificidades que deverão ser trabalhadas, além de uma área natural bastante representativa; a integrante do CAF, Cecília Guerra; o vice-prefeito do Crato e secretário de Segurança e Cidadania, Francisco Leitão; o gerente da Ematerce, Francisco Porto; o chefe do ICMBio, Carlos Augusto, o coordenador do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN), Severino Ribeiro; além do gerente de Unidades de Conservação da Secretaria de Meio Ambiente do Crato, Kelysson de Freitas.

Também estiveram representando o poder legislativo, os vereadores Tiago Esmeraldo, Fernando Brasil, Wilson Rosto, Júnior Tavares e Marquim do Povão. Na oportunidade, o vereador Tiago Esmeraldo, propôs a inclusão de uma trilha sensorial, para atendimento terapêutico e espaço de lazer, proporcionando um diferencial. Ele ainda parabenizou pela conquista do Jardim Botânico, que representa um grande presente para o Crato e o Cariri.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.