Com foco em cultura e memória, MinC e UFCA lançam 1ª Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura no Cariri. Evento será em 30 de junho, na Lira Nordestina

Com o objetivo de promover atividades de pesquisa-ação, de memória e de fomento às práticas
artísticas, a Universidade Federal do Cariri (UFCA) e o Ministério da Cultura (MinC) – por meio da
Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli/MinC) – lançam, no próximo dia
30 de junho de 2026, a Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura: a primeira deste
gênero no país.

O evento de apresentação da iniciativa será aberto ao público e ocorrerá na sede da Lira
Nordestina, em Juazeiro do Norte (Rua Interventor Francisco Erivano Cruz, 120 – Matriz), às 9h. A solenidade contará com a presença do titular da Sefli/MinC, Fabiano Piúba, representantes da
UFCA e da Universidade Regional do Cariri (Urca) – instituição parceira – além de pesquisadores,
estudantes, Mestres e Mestras da Cultura da região do Cariri.

O projeto, que funcionará sob tutela do Laboratório de Ciência da Informação e Memória
(Lacim/UFCA), prevê a promoção de ações formativas (seminários, colóquios e oficinas), a
realização de trabalhos de tratamento técnico de acervos documentais (higienização,
catalogação e tipificação), além da difusão cultural por meio de aulas-espetáculo com
cantadores, poetas e xilógrafos. As atividades previstas serão executadas pelo Lacim/UFCA entre
os meses de junho de 2026 e maio de 2027.

De acordo com Fanka Santos, professora do curso de biblioteconomia da UFCA e coordenadora
da iniciativa, a Escola está comprometida com a promoção da memória e da Cultura Popular
nordestina: “o objetivo fundamental desse projeto é reativar esses territórios: do cordel, da
cantoria e da xilogravura que no nosso estado, e principalmente na nossa região Nordeste, é
uma tradição”, ressalta a docente.

Estrutura de salvaguarda e inovação
A Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura irá atuar a partir de quatro metas
estratégicas: tratamento técnico dos acervos; formações, eventos e capacitação; aulasespetáculo e Café Cordel, e o Projeto DáXilo: moda, inovação e identidade cultural.

Segundo a coordenadora do projeto, as ações foram definidas como uma maneira de garantir a
proteção de acervos existentes e, ao mesmo tempo, permitir que o cordel e a xilogravura sejam
pensados e trabalhados em contextos de produção atuais.

“Essa iniciativa vem para colaborar no sentido de que essas linguagens artísticas da cultura local
sejam ressignificadas e mantidas a partir de novos parâmetros, como da economia criativa, do
design de moda e, sobretudo, em diálogo permanente com os diversos atores, onde se destaca,
na atualidade, uma forte presença das mulheres cantadoras, repentistas, cordelistas e
xilógrafas”, finaliza Fanka.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.