Ciclo Estudantil Rural (CERU) reúne cerca de 200 alunos na Chapada do Araripe

Um sábado marcado pela integração, conscientização e contato direto com a natureza. Cerca de 200 estudantes de escolas públicas municipais participaram da mais nova edição do Ciclo Estudantil Rural (CERU), realizando um passeio ciclístico de 9km pela exuberante Chapada do Araripe, no último dia 13. Mais do que uma atividade esportiva, o evento promoveu um “abraço” simbólico à Floresta Nacional do Araripe (FLONA) com uma ação prática de reflorestamento: o lançamento de mais de 500 “bombinhas” com sementes de espécies nativas ao longo do percurso.

Batizada de Trilha do CERU, a rota foi percorrida por alunos de diversas instituições locais, incluindo as escolas: Paulo Limaverde, Gonzaga Mota, Dom Quintino, Pureza Teles, José Peixoto e Álvaro Madeira.

Sementes para o futuro

Equipados com sacolas carregadas nas costas, os jovens ciclistas espalharam sementes de árvores nativas da região, como ipê roxo, imburana de cheiro e pau mocó.

Para o professor Augusto César (Dida), coordenador e idealizador do projeto que teve sua primeira edição realizada em 2010 , o evento cumpre um papel fundamental que vai além das salas de aula. “Esse é um momento de alegria e conscientização dos alunos, que vivenciam uma experiência ímpar em plena floresta. O mais importante é a participação, porque o objetivo não é promover a competição, mas a integração de todos”, afirma.

A energia contagiante do passeio foi confirmada pelos próprios estudantes. Pedro Lucas, aluno da Escola Paulo Limaverde, destacou que o trajeto de 9km passa voando. “Não é cansativo e termina bem rápido. É bom porque vem a turma e a gente se diverte junto”. Já a estudante Maria Lorena Domingos reforçou o caráter coletivo do evento: “sempre venho participar, porque é um momento saudável e que reúne várias escolas”.

A Secretária de Educação, Neyla Brito, também esteve presente e enalteceu a grandiosidade e a beleza da iniciativa. “É maravilhoso ver a participação das escolas, com atividades física e mental. É um projeto muito bonito”.

Parceria intersetorial

O sucesso do Ciclo CERU é fruto de uma união de forças. O evento contou com a parceria estratégica de diversas pastas e instituições, incluindo as secretarias de Educação, Saúde e Meio Ambiente e Mudança do Clima, além do suporte da SAAEC e de outros apoiadores, que inclusive doaram prêmios para o sorteio realizado entre os participantes.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.