Cia de Danças Populares Txai realiza projeto que fortalece a cultura popular e promove a inclusão social

Com foco na valorização e no fortalecimento das culturas populares como caminho para a preservação das tradições, a Cia de Danças Populares Txai realiza o projeto “Txai – Segunda Edição”. A iniciativa propõe a reflexão sobre a universalização cultural — entendida como o reencontro dos indivíduos com suas raízes e com suas “aldeias” —, reconhecendo a riqueza das expressões e dos saberes tradicionais, especialmente do Nordeste.

Em sua segunda edição, o projeto acontece ao longo de quatro meses, de fevereiro a junho, reunindo ações formativas e culturais que envolvem integrantes da companhia e a comunidade. Entre as atividades, estão oficinas de danças populares, rodas de conversa e formação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), com o objetivo de valorizar e fortalecer a identidade cultural cearense.

As oficinas de danças populares são realizadas com crianças e jovens da comunidade do Jari, no bairro Canindezinho, em Maracanaú, em parceria com a associação SECRED, que já atua na região com ações de assistência social, cultura e lazer. A proposta é promover o acesso à cultura, estimular o pertencimento e contribuir para a inclusão social por meio da arte.

As rodas de conversa acontecem duas vezes por mês e abordam temas relacionados aos principais ciclos festivos e manifestações culturais do Ceará. Os encontros discutem o ciclo carnavalesco, com expressões como blocos, escolas de samba e maracatus; o ciclo junino, destacando quadrilhas, simbologias e tradições; e o ciclo natalino, com manifestações como reisado, pastoris e autos de Natal. A programação inclui, ainda, debates sobre a cultura negra no Ceará, evidenciando suas contribuições para a formação da identidade local, por meio da música, da dança, da religiosidade e da resistência cultural. As atividades proporcionam espaços de troca, aprendizado e reflexão coletiva.

Como diferencial, o projeto oferece formação básica em Libras para todos os participantes, ampliando a comunicação e promovendo a inclusão de pessoas surdas nas atividades culturais.

O projeto “Txai – Segunda Edição” conta com o apoio do Ministério da Cultura e do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura do Ceará, via Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), reforçando o compromisso com o fomento à cultura, à diversidade e à inclusão social no estado.

A Justiça do Rio manteve neste domingo (23), em audiência de custódia, a prisão temporária dos entregadores por aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos e de Ailton José da Silva, de 24 anos, envolvidos na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele foi espancado até a morte por ter sido confundido com um ladrão de bicicleta. A audiência de Felipe Silva foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. Na decisão, a magistrada escreveu que “o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação”. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital. No caso do outro entregador, Ailton da Silva, a sessão foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Na decisão, o magistrado disse que “a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade”. O juiz determinou que o cumprimento da prisão temporária fosse comunicado ao juízo natural do processo. Os seguranças de rua, Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também tiveram as prisões temporárias mantidas em audiência de custódia no sábado (22). A morte de Cláudio Landeiro, por espancamento, ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, após sessão de espancamento com porrete e chutes nas costas e na cabeça. A vítima saiu de casa, em Botafogo, por volta de 22h30, pedalando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Parou a bicicleta e entrou numa loja de conveniência para pedir um cigarro. Saiu e ficou parado na esquina, quando apareceu o segurança de rua Davi Santos Machado com um porrete na mão, iniciando um interrogatório. Perguntou se a bike era de Cláudio. A vítima disse que não. Mas por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a frase e dizer que a bike não era dele, mas de sua irmã, que mora com ele. Dali em diante foi só sofrimento. Teve a bicicleta tomada à força pelo outro segurança, Jorge Luiz Dias. Ao tentar impedir que a bike fosse levada, tomou a primeira paulada desferida por Davi Machado. Sem a bicicleta, a vítima saiu andando e sentou na portaria de um prédio na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali foi cercado por Davi e dois entregadores. Em seis minutos de gravação de uma das câmeras de segurança da rua, a vítima levou 57 golpes de porrete desferidos pelo segurança, a maioria na cabeça. Ainda levou chutes na cabeça e nas costas. Depois, os agressores foram embora, deixando a vítima caída no chão, sem forças para levantar. Cerca de 30 minutos depois, chegou uma ambulância dos bombeiros e levou Cláudio Rafael para o Hospital Miguel Couto. Na madrugada do dia 12, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. Em depoimento à polícia, o segurança Davi Machado não soube explicar por que agiu com tanta violência e disse “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele ainda filmou com o celular a vítima caída no chão. Um dos entregadores fez o mesmo e distribuiu as imagens para outros colegas e moradores do bairro. O segurança Jorge Luiz não participou da sessão de espancamento, mas também não acionou os bombeiros para socorrer a vítima que estava caída no chão. A polícia procura um quinto homem que parou no local, quando Cláudio estava apanhando e desferiu um chute na cabeça da vítima. Ele ainda não foi identificado e permanece foragido. Todos vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, de forma cruel e sem chances de defesa da vítima.