Câncer de Tireoide: alerta para aumento da doença no Brasil

O câncer de tireoide é uma doença que vem despertando a atenção de especialistas pelo crescimento nos últimos anos1. Atualmente, a neoplasia é a mais comum entre adolescentes e jovens adultos, na faixa dos 20 aos 29 anos2.

A história de Anna Laura Rocha, 20 anos, exemplifica esse cenário. O caso começou de maneira inesperada em janeiro de 2021, quando ela tinha 15 anos. Em um dia, após a refeição, a estudante de medicina e moradora de Icó (CE), sentiu dores na região cervical, seguidas pela percepção de nódulos visíveis no pescoço.

Ao buscar auxílio médico e investigação via exames de imagem, a confirmação revelou um quadro grave: câncer de tireoide já com metástases cervicais e nos pulmões.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), a previsão de novos diagnósticos de câncer de tireoide no Brasil, em 2026, é de acima de 16 mil3. Na adolescência, a proporção chega a 6 meninas para cada 1 menino, tornando o câncer de tireoide o segundo tipo de câncer mais comum entre adolescentes do sexo feminino4.

Para explicar o avanço no número de casos no país, o Dr. Helton Estrela (CRM 243717/SP | RQE 12169), endocrinologista com doutorado pela Unifesp, pós-doc pela Sorbonne e Institut Gustave Roussy (França) e Professor Associado Universidade Federal da Bahia (UFBA) cita alguns fatores:

  • aumento da obesidade3;
  • sensibilidade à radiação3;
  • avanço das tecnologias de imagem médica, que aumentaram significativamente as taxas de detecção precoce dessas lesões3;
  • fatores nutricionais1.

Após a remoção total da tireoide, Anna Laura segue monitorando a evolução dos tumores. O tratamento é realizado via iodoterapia e suplementação com levotiroxina, hormônio sintético da tireoide (T4) usado para repor a falta da substância no organismo e o impacto do hipotiroidismo cirúrgico. O mapeamento genético foi realizado também com o objetivo de identificar qual alteração genética causou o crescimento das células tumorais.

“No caso de Anna Laura, a tireoidectomia total foi necessária. Atualmente, porém, graças à medicina de precisão, temos abordagens menos cirúrgicas e agressivas. Com as chamadas terapias-alvo, é possível seguir com o tratamento com máxima eficácia, poupando a paciente de intervenções mais invasivas”, explica Dr. Helton.