A gestação de Liliane Gonçalves da Silva foi desafiadora. Com cerca de 20 semanas ela descobriu um problema que colocou a vida de sua filha em risco: a bolsa rota. A condição leva a perda do líquido amniótico, e exige ida imediata ao hospital. Ela passou 60 dias internada no Hospital Padre Cícero, mas ao chegar às 28 semanas de gestação, foi necessário realizar o parto. A chegada de Maria Lis, mesmo repleta de medos e incertezas, foi marcada pela superação.
Maria Lis é uma bebê com extrema prematuridade. Por este motivo, precisou ficar internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal do Hospital Padre Cícero, da Hapvida, onde o principal desafio era o ganho de peso. Foi com o incentivo da equipe do hospital e força de vontade da mãe, que o leite materno entrou em cena e salvou a vida da pequena.
A coordenadora de enfermagem da unidade, Audrey Taveira, explica que ao nascer um bebê prematuro, a equipe incentiva que as mães estimulem a produção de leite materno e realizem a ordenha beira-leito, processo de ordenha e oferta do leite, diretamente da mãe para o bebê. “A gente explica para as mães a importância da amamentação para a melhoria das condições de saúde dos bebês, sobretudo dos prematuros: diminuição da regurgitação, ganho de peso, melhoria da imunidade, entre outras. Então nós convidamos as mães a estarem presentes a cada três horas, realizar a ordenha e assim ter uma participação ativa na internação do recém-nascido até a alta hospitalar”.
No início eram apenas 2 ml de leite por vez, uma quantidade que pode parecer pequena, mas foi fundamental para Maria Lis alcançar o peso e a imunidade desejadas para deixar a UTI e ir para casa nos braços da mãe. Com o tempo a quantidade foi aumentando, e hoje Maria Lis já mama diretamente do seio da mãe.
“A ordenha era rápida, poucos minutos, mas eram os melhores momentos do meu dia, porque era quando eu estava perto da minha filha. Era a única coisa que eu podia fazer por ela, já que por ser prematura extrema, eu não podia pegá-la no colo, dar esse carinho, esse afeto, então o leite materno era o que eu podia ofertar naquele momento”, afirma Liliane. Ela também contribuiu com um banco de leite da cidade por meio da doação. “Eu vi a necessidade de salvar outras vidas, já que eu estava tentando salvar a minha filha, e com o leite materno eu poderia ajudar também outras crianças.”
Agosto Dourado: aleitamento materno ganha ainda mais importância diante da prematuridade
Mais do que uma campanha de conscientização, o Agosto Dourado chama atenção para um cuidado que deve iniciar ainda no pré-natal: o incentivo ao aleitamento materno. Para mães de bebês prematuros, a produção e a oferta do leite representam também uma forma de participar ativamente da recuperação dos filhos em um momento marcado por limitações, incertezas e longos períodos de internação.
No caso de recém-nascidos extremamente prematuros, cada mililitro pode ter um significado diferente. O leite materno contribui para a nutrição e para a proteção imunológica do bebê, além de fortalecer o vínculo maternal. Por isso, mesmo quando o recém-nascido ainda não consegue mamar diretamente no seio, a ordenha e a oferta do leite são estimuladas pela equipe neonatal como parte do cuidado. A história de Maria Lis mostra, na prática, como 2 ml podem representar um passo importante entre a fragilidade e a recuperação de uma vida.





