Sensibilizar a comunidade escolar sobre proteção de crianças e adolescentes e combate às situações de abuso e exploração sexual. É com esse intuito que o Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Nuavv) do Ministério Público do Ceará realiza desde junho um ciclo de palestras, que já passou por 14 escolas públicas estaduais de Ensino Médio em Fortaleza e alcançou mais de mil estudantes. Foram priorizadas as instituições localizadas em regiões com os índices mais altos de denúncias de violência sexual, conforme dados da segurança pública.
Ao longo das palestras, o promotor de Justiça Rodrigo Calzavara, que responde pela coordenação do Nuavv, e a equipe do Núcleo orientam os estudantes sobre o papel do Ministério Público na proteção de direitos e no acolhimento de vítimas de violência. Também explicam como identificar sinais de abuso e exploração sexual, apresentam informações sobre a legislação e divulgam canais de denúncia, como o Disque 100. A iniciativa tem caráter educativo e preventivo, buscando conscientizar a comunidade escolar, fortalecer a proteção às vítimas e contribuir para a responsabilização dos agressores.
“Nós vamos às escolas para realizar essa roda de conversa e impedir que haja novos crimes. Nós não queremos que vocês sejam vítimas nem agressores ou violadores. Por isso, é importante que vocês conheçam os canais para denúncia e o que acontece com quem viola a lei. Denunciem se algo estiver errado. E escutem quem estiver do lado de vocês. Todo mundo aqui tem maturidade e consciência para saber quando o colega do lado está diferente. Como amigo ou amiga, eu tenho que tentar entender o que está acontecendo. Isso pode ser fundamental para a pessoa que está do seu lado e pode estar sofrendo calada. E a escola também é um local para receber denúncias. Procurem um profissional em quem vocês confiam”, reforça o promotor de Justiça.
Uma das instituições visitadas foi a Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Professora Maria Margarida de Castro Almeida, no bairro Conjunto Esperança, que reuniu cerca de 100 adolescentes no bate-papo com o Nuavv. Para a professora Rafaely de Sousa Cavalcante, a iniciativa levou esclarecimentos para estudantes e docentes, auxiliando o trabalho do Conselho de Combate à Violência formado por profissionais da escola. “Essa ação é muito importante porque ela esclarece situações que infelizmente os jovens cotidianamente passam. Eles, muitas vezes, se deparam com a violência sexual dentro de casa e podem ser culpabilizados pela própria família. E ajuda a escola a ter meios de suporte jurídico e técnico que seja realmente competente para combater o problema”, afirma.
O estudante do 1º ano, Samuel Rocha, de 18 anos, destaca que apesar de a temática ser delicada, é grave e requer atenção para ser enfrentada. “Infelizmente vivemos em uma sociedade muito agressiva, em que as pessoas tentam normalizar esse tipo de situação, acham que é brincadeira. No mundo em que a gente vive é necessário ter coragem para poder denunciar para ajudar, não só a si mesmo, mas também ao próximo”, declara. Já Luana Ferreira, de 16 anos e aluna do 2º ano, acredita que a palestra foi esclarecedora para compreender melhor a atuação do MP. “Eu consegui entender mais como é o trabalho do MP. Há pessoas que precisam ser ouvidas e o Ministério Público é muito importante para elas. Eu achei a palestra maravilhosa porque muita gente precisa saber todas essas informações e eles detalharem tudo que é importante a ser feito”, complementa.
Instituições visitadas
O ciclo de palestras já visitou as instituições estaduais Lions Jangada, Antônio Sales, Santo Afonso, Professora Maria Antonieta Nunes, Edmilson Guimarães de Almeida, Dr. Ubirajara Índio do Ceará, Almirante Tamandaré, Dra. Aldaci Barbosa, Professor Paulo Ayrton de Araújo, José de Alencar, Professora Telina Barbosa da Costa, Professor Onélio Porto, Polivalente Modelo de Fortaleza e Professora Maria Margarida de Castro Almeida, localizadas nos bairros Cajazeiras, Conjunto Ceará I e II, Conjunto Esperança, Cristo Redentor, Jangurussu, José Walter, Messejana, Parquelândia e Vila Velha. A expectativa da iniciativa é alcançar todas as escolas públicas na capital.





