Fortaleza no radar: viagens corporativas crescem 22,8% no Nordeste

Os gastos com viagens corporativas de empresas do segmento de Energia no Nordeste cresceram 22,8% entre janeiro e junho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Os dados fazem parte de um levantamento da Biosfera Copastur com sua base de clientes e colocam Energia/Nordeste entre os movimentos de maior destaque observados no período pela agência – que tem mais de 50 anos de bagagem em gestão de viagens no Brasil e mais de 20 países da América Latina e do Caribe.
O avanço reflete o momento da economia nordestina. De acordo com a Tendências Consultoria, a região deve liderar a expansão da economia brasileira na próxima década, com projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nordestino de 1,9% em 2026, 1,6% em 2027 e 3,3% ao ano entre 2028 e 2035, acima das projeções para o crescimento da economia brasileira nos mesmos períodos.
O movimento no Nordeste acompanha a expansão do mercado brasileiro de turismo de negócios. Segundo a Global Business Travel Association (GBTA), os gastos com viagens corporativas no Brasil devem chegar a US$ 35,8 bilhões em 2026, alta projetada de 13,8%, o maior crescimento entre os 15 maiores mercados globais. No mundo, os gastos devem alcançar US$ 1,71 trilhão, avanço de 7,2% sobre 2025.

 

Na avaliação da Copastur, o comportamento observado no Nordeste mostra como a mobilidade corporativa acompanha movimentos de setores estratégicos, em que reuniões, negociações, projetos, visitas técnicas e eventos fazem parte da dinâmica dos negócios. No caso de Energia, o segmento também aparece entre os maiores da carteira analisada pela agência, com R$ 13,28 milhões em faturamento entre janeiro e junho de 2026.

 

Fortaleza cresce com turismo de eventos

Esse movimento encontra um ambiente favorável em Fortaleza. A capital cearense registrou R$ 1,17 bilhão em impacto econômico direto gerado pelo turismo de eventos em 2025, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Segundo levantamento do Visite Ceará, foram realizados 89 eventos, reunindo mais de 172 mil participantes.

 

Para a Copastur, a combinação entre expansão das viagens corporativas e fortalecimento do mercado de eventos amplia o papel de destinos como Fortaleza na estratégia de mobilidade das empresas. Além de sediar congressos, convenções e encontros corporativos, a cidade possui uma estrutura que permite concentrar diferentes atividades profissionais em uma mesma viagem.

 

“O crescimento das viagens corporativas está diretamente relacionado aos movimentos da economia. Quando setores estratégicos ampliam suas operações, projetos e relações comerciais, aumenta também a necessidade de deslocamentos. Ao mesmo tempo, destinos que possuem mais estrutura para receber eventos e encontros de negócios ganham relevância dentro dessa dinâmica”, afirma Edmar Mendoza, CEO da Biosfera Copastur.

 

Planejamento pode representar economia superior a R$ 1 milhão

O crescimento da demanda também aumenta a importância de uma gestão mais estratégica das viagens. Na base analisada pela Copastur, as compras realizadas com mais de 30 dias de antecedência tiveram ticket médio de R$ 919,53, enquanto aquelas feitas entre zero e nove dias chegaram a R$ 2.171,64.
O segmento de Energia aparece como uma das maiores oportunidades de economia identificadas pela análise. No setor, a antecipação média de 17 para 25 dias reduz o ticket médio de R$ 1.804,61 para R$ 1.363,02. A simulação aponta uma economia potencial de aproximadamente R$ 1,19 milhão.
“Quando os deslocamentos aumentam, não basta acompanhar apenas o volume de viagens. É preciso entender os padrões de compra, os destinos, a antecedência e o objetivo de cada viagem. O uso de dados permite identificar oportunidades de economia sem comprometer a experiência da pessoa viajante e, principalmente, ajuda a transformar a gestão de viagens em uma ferramenta de eficiência para o negócio”, complementa Mendoza.

 

O cenário reforça a importância de destinos capazes de combinar infraestrutura para negócios, eventos e turismo. Em Fortaleza, o turismo de eventos já representa uma parcela relevante da economia local: em 2025, além do impacto direto de R$ 1,17 bilhão, o setor movimentou R$ 1,40 bilhão em produção total, gerou R$ 421,91 milhões em massa salarial e foi responsável por 39.525 empregos formais e informais.

 

A combinação entre expansão econômica, crescimento de setores estratégicos e fortalecimento do mercado de eventos amplia a complexidade da mobilidade corporativa na região. Para as empresas, o cenário reforça a importância de acompanhar não apenas quanto se viaja, mas como esses deslocamentos são planejados, quais padrões os dados revelam e onde existem oportunidades de tornar a operação mais eficiente.