Um estudo da OCDE mostra que seriam necessárias nove gerações para uma pessoa nascida entre os 10% mais pobres do Brasil alcançar a renda média nacional — um dos piores índices de mobilidade social entre os países analisados pela organização. Mesmo dentro das universidades federais, apenas 21,4% dos concluintes são estudantes de primeira geração, segundo levantamento com dados do Enade.
A trajetória de Keila Prado Costa é exatamente o tipo de exceção que esses números mostram ser rara. Filha de trabalhadores rurais e operários de Guarulhos, Keila foi a primeira mulher da família a entrar numa universidade pública, formando-se em Letras pela USP. Suas duas avós (incluindo Das Dores) eram analfabetas e sua mãe não chegou a completar nem o primário. Da tradição oral da família à universidade pública, e da universidade a uma carreira de mais de 20 anos no mercado editorial: hoje Keila é sócia-diretora da editora-boutique KPMO, com 53 títulos publicados em dez anos.
Essa trajetória ganhou um novo capítulo agora: Filhos das Dores, romance de estreia de Keila e primeira vez em que ela coloca a própria família no centro da escrita, acaba de entrar entre os mais vendidos da Amazon em seis categorias do Kindle. O livro é inspirado na avó Maria das Dores e na história de mulheres analfabetas cujas memórias só existiram, por gerações, na oralidade.
Keila está disponível para entrevistas. Se for do seu interesse, posso mandar informação adicional.




