Entenda como o envelhecimento ativo auxilia na prevenção de queda da pessoa idosa

De acordo com os dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (LSI-Brasi), publicado na Revista de Saúde Pública, 25,1% dos idosos brasileiros que vivem em áreas urbanas sofreram ao menos uma queda no período de um ano, correspondendo a um em cada quatro idosos. Ainda de acordo, as ocorrências são maiores em pessoas com 80 anos ou mais.
Formulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a promoção do envelhecimento na comunidade se relaciona diretamente ao paradigma do envelhecimento ativo. Esse conceito amplia a compreensão sobre o envelhecer ao valorizar as oportunidades de saúde, participação social e segurança que possibilitam uma vida longeva e significativa.
Segundo a OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde (PAN), pessoas idosas saudáveis e independentes contribuem para o bem-estar de sua família e da comunidade, e descrevê-las apenas como destinatárias passivas dos serviços sociais ou de saúde é perpetuar um mito.
Para Erica Oliveira, gestora pedagógica e franqueada do Supera, o envelhecimento ativo proporciona independência, equilíbrio emocional e autoestima. “Esses fatores são determinantes para viver mais e melhor. Significam maximizar as oportunidades que a vida oferece para quem já passou dos 60 anos de idade. Com mais autonomia, os idosos podem levar uma vida saudável”, destaca.
O sinal de alerta não acende com esquecimentos eventuais (que fazem parte da senescência, o envelhecimento normal), mas sim quando o declínio começa a impactar as Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVDs). Os principais sinais de alerta que exigem investigação incluem falhas no planejamento e organização, dificuldade crescente para administrar finanças, pagar contas ou seguir a posologia de medicamentos. “Alguns exemplos são: desorientação em ambientes conhecidos, perder-se em trajetos familiares ou esquecer como operar eletrodomésticos; mudanças no padrão de comportamento, apatia, retraimento social ou abandono repentino de hobbies por ‘falta de vontade’ ou medo de errar; perda de autonomia decisória; e  passar a depender constantemente de terceiros para tomar decisões simples ou resolver pequenos imprevistos”, exemplica a gestora pedagógica.
De acordo com Erica Oliveira, saber caminhar não é apenas um ato motor, é um ato cognitivo complexo que gera uma reflexão sobre qual é a importância da estimulação cognitiva para o caminhar saudável. “As quedas raramente são causadas apenas por sarcopenia (perda de massa muscular) ou déficits de equilíbrio; o cérebro desempenha um papel contínuo e decisivo na navegação segura pelo ambiente”, pontua.
Existem várias funções executivas e outras habilidades cognitivas são os “radares” do nosso corpo. “Atenção dividida e memória de trabalho: permitem que o idoso caminhe, converse e mapeie o ambiente simultaneamente; Velocidade de processamento e tomada de decisão: garantem a reação rápida diante de um tropeço ou de um obstáculo súbito; Percepção visuoespacial: ajuda a calcular distâncias, como a altura de um degrau ou a profundidade de um tapete.
No dia a dia, frequentemente operamos no paradigma da dupla tarefa (ex: andar e segurar uma sacola, andar e prestar atenção ao trânsito). Se a capacidade cognitiva está diminuída, o cérebro não consegue processar os dois estímulos simultaneamente, aumentando exponencialmente o risco de quedas. Por isso, a prevenção eficaz deve ser multimodal: fortalecer os músculos e estimular o cérebro.
Erica Oliveira destaca que o método Supera baseia-se nos princípios da neuroplasticidade — a capacidade do cérebro de se reorganizar e formar novas conexões neurais ao longo de toda a vida — por meio de um treinamento cognitivo estruturado, com novidade, variedade e grau de desafio crescente. “A eficácia do método para o público 60+ repousa em dois pilares fundamentais: estimulação cognitiva integrada e engajamento socioemocional. Cabe ressaltar que o treino cognitivo é uma ferramenta poderosa de neuroproteção, integrando-se, e não substituindo, a prática de exercícios físicos e o acompanhamento geriátrico”.
Para finalizar, a franqueada do Supera salienta que, para um envelhecimento com excelência, a abordagem deve ser holística, envolvendo o corpo, a mente e o contexto social do indivíduo. “Além do pilar físico e ambiental, uma rotina neuroprotetora inclui estimulação cognitiva e aprendizado contínuo (Lifelong Learning), engajamento social e propósito, higiene do sono, nutrição estratégica e hidratação e controle de fatores de risco sistêmicos”.
Envelhecer bem não é esquivar-se do tempo, mas vivê-lo com intencionalidade. “O cuidado preventivo com a saúde cerebral deve ser uma filosofia de vida, garantindo que os anos adicionados à vida sejam vividos com lucidez, significado e liberdade plena”, finaliza.