Score, restrições e ocupação pesam mais na aprovação de crédito

Em janeiro de 2026, a taxa de pré-aprovação de empréstimo pessoal no Brasil atingiu 66,6%, o maior nível da série segundo o Índice Juros Baixos de Empréstimo (IJBE).

O resultado representa alta de 8,7 pontos percentuais em 12 meses. Apesar do avanço, os dados revelam diferenças relevantes entre os perfis dos solicitantes.

O levantamento indica que o resultado da análise de empréstimo pessoal está mais associado ao score de crédito, à situação do CPF e à ocupação profissional do que à região onde a pessoa vive.

Em dezembro de 2025, o volume de aprovações foi 3,2 vezes o registrado em janeiro do mesmo ano, enquanto a base de solicitantes elegíveis cresceu 2,7 vezes no período.

Score de crédito é o principal fator de diferenciação

IJBE Q1/2026 aponta que o Score Interno, pontuação de risco calculada a partir do comportamento do solicitante, como o fator de maior peso na aprovação.

Pessoas com score acima de 800 registraram taxa de aprovação 4,7 vezes maior do que aquelas com pontuação abaixo de 500. Em relação à média geral, a taxa foi 1,6 vezes maior.

Apenas 26% dos solicitantes têm Score Interno acima de 700. Os demais 74% estão abaixo desse patamar, o que ajuda a explicar a distância entre a demanda por crédito e o volume de aprovações ao longo da série analisada.

Restrição no CPF ainda limita o acesso ao crédito

Em janeiro de 2026, 46% dos solicitantes de empréstimo pessoal tinham alguma restrição no CPF, mas apenas 19% desse grupo conseguiu aprovação.

Esse descompasso, de 27 pontos percentuais, permaneceu praticamente estável durante os 15 meses analisados.

O levantamento também indica que esse público recorre principalmente a linhas sem garantia.

Modalidades com garantia, como as vinculadas a veículo ou celular, seguem critérios específicos de elegibilidade, além da análise de score e renda.

Ocupação profissional também influencia o resultado

O vínculo de trabalho aparece como outro fator relevante. A taxa de aprovação de trabalhadores com carteira assinada (CLT) foi 2,3 vezes a dos informais.

Aposentados e pensionistas do INSS registraram taxa equivalente a 1,6 vezes a média, favorecidos pela comprovação de renda e pela previsibilidade do fluxo de recursos.

Entre os empresários, a taxa chegou a 4,7 vezes a média, embora o grupo represente uma parcela pequena da base.

Os desempregados tiveram a menor conversão do levantamento, equivalente a 30% da média nacional.

A região pesa menos, mas as diferenças permanecem

Na distribuição regional, o Sudeste concentra 52,3% das aprovações, seguido por Sul, com 17,7%; Nordeste, com 13,4%; Centro-Oeste, com 9,8%; e Norte, com 5,1%.

taxa de aprovação no Sul é 2,1 vezes a do Nordeste. A região nordestina reúne 25% das solicitações do país, mas responde por 17% das aprovações, diferença de 8 pontos percentuais observada ao longo da série.

O Norte se destaca pelo ritmo de crescimento. Amapá, Tocantins e Amazonas registraram alta superior a 200% no volume de aprovações no período, embora a região ainda concentre a menor participação nacional.

São Paulo, por sua vez, respondeu por 24,9% de todas as solicitações de empréstimo pessoal do Brasil em março de 2026.

Corte da Selic ainda não se refletiu no custo final do crédito

Em março de 2026, o Banco Central realizou o primeiro corte da Selic em quase dois anos, reduzindo a taxa para 14,75% ao ano.

No mesmo período, o Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo efetivo das operações para o tomador, avançou de 22,0% para 24,2% ao ano.

O movimento mostra que a redução dos juros básicos não é repassada de forma imediata.

Nesse cenário, comparar ofertas de empréstimo antes da contratação continua sendo uma medida importante para buscar condições mais adequadas.

Em conjunto, os dados mostram que duas pessoas com renda semelhante podem obter resultados diferentes ao solicitar crédito.

O score, a situação do CPF e ocupação profissional, quando analisados em conjunto, têm mais peso do que o endereço do solicitante.

“O endereço pesa menos do que muitas pessoas imaginam. Um score mais alto, CPF sem restrições e ocupação formal estão associados a melhores resultados em diferentes regiões do país. O desafio é ampliar as alternativas para quem ainda não construiu esse histórico, sem comprometer a qualidade da análise de risco.” – Arthur Bonzi, cofundador e COO da Juros Baixos

Sobre o IJBE

O IJBE (Índice Juros Baixos de Empréstimo) é o indicador trimestral da Juros Baixos sobre o comportamento do mercado de crédito no Brasil.

Construído com dados de mais de 10 milhões de pedidos processados pela plataforma, ele acompanha o volume de solicitações, perfil de contratação, aprovação, valores solicitados, distribuição geográfica e principais motivações dos consumidores.

Os relatórios são publicados trimestralmente, com acesso público e gratuito.

Sobre a Juros Baixos

Juros Baixos conecta pessoas que buscam crédito a mais de 40 instituições parceiras autorizadas pelo Banco Central. A simulação é online, gratuita e sem compromisso.

A empresa reúne mais de 9 milhões de usuários e processa mais de R$12 bilhões em crédito simulado por mês.

Para as instituições parceiras, oferece infraestrutura de originação via API e soluções de Embedded Finance para distribuição de produtos financeiros.